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Por Um Punhado de Spaghetti Westerns - PPSW

A Fistful of Spaghetti Westerns

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Dios perdona... Yo no!

Posted by Spaghetti Westerns on July 4, 2012 at 8:35 PM
  • Diretor: Giuseppe Colizzi
  • Também conhecido como: Deus perdoa... eu não (Portugal) | Dios perdona, yo no (Espanha) | Tu perdonas... yo no (Espanha) | Gud förlater men inte jag! (Suécia) | Luoja armahtaa minä en (Finlândia) | Manden de kaldte Englefjaes (Dinamarca) | Rid aldrig ensam (Suécia) | Bóg wybacza - ja nigdy (Polônia) | Trinita ne pardonne pas! (França) | God Forgives, I Don't (EUA) | Blood River (Reino Unido) | Django Forgives, I Don't | Zwei vom Affen gebissen (Alemanha) | Gott vergibt, Django nie! (Alemanha) | Gott vergibt, wir beide nie! (Alemanha) | Kill or be Killed | Bastard... Vamos a matar!
  • Elenco: Terence Hill, Bud Spencer, Frank Wolff, Gina Rovere, José Manuel Martín, Luis Barboo, Joaquín Blanco, Tito Garcia, Frank Braña, Antonietta Fiorito, Francisco Sanz (como Paco Sanz), Franco Gulà, José Canalejas, Remo Capitani, Antonio Decembrino, Juan Olaguivel, Giovanna Lenzi, Roberto Alessandri, Bruno Arie, Giancarlo Bastianoni, Rufino Inglés, Arturo Fuento, José Terrón.
  • História: Giuseppe Colizzi
  • Roteiro: Giuseppe Colizzi, Gumersindo Mollo
  • Fotografia: Alfio Contini [Technicolor, Techniscope 2,35:1]
  • Música: Carlo Rustichelli (como Oliver Angel Pina)
  • Produção: Enzio D'Ambrosio
  • Espectadores: 2.077.040

Dio perdona... Io no! - Este fenomenal spaguetti western, de 1967, do diretor Giuseppe Colizzi, reuniu, pela primeira vez, uma das mais espetaculares, gloriosas, incomparáveis e bem-sucedidas duplas do cinema. Ora, alguém poderia se perguntar: “de quem se trata?”, pois, são várias as duplas que alcançaram fama no mundo do cinema... É a mais pura verdade, entretanto, nesta resenha, nos referimos a Terence Hill e Bud Spencer, cujo estrondoso sucesso se estendeu até para além do gênero spaghetti western.

Poucas são as duplas cuja parceria foi tão perfeita quanto Hill e Spencer, muito embora tenhamos que reconhecer o talento de outras que, carismaticamente, também souberam cativar o público, de modo muito similar. É o caso, por exemplo, de Mel Gibson e Danny Glover, em “Máquina Mortífera”, e mais atualmente, Simon Pegg e Nick Frost em “Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”, de onde se percebe muita similaridade com o público. Em cada filme o entusiasmo é geral e o apoio dos expectadores é garantido.

No caso de Hill e Spencer ocorreu da mesma forma. Tudo começou com este “Deus perdoa... eu não!”, de 1967, considerado o pontapé inicial da trajetória de ambos. O filme era essencialmente sério e muito violento, e não apresentava nenhum ingrediente das hilárias comédias que os consagrariam mais adiante. Nessa ocasião, embora não soubessem, eles ainda voltariam a trabalhar juntos em outros 16 filmes. As duplas atuais precisariam mostrar muito serviço para igualar ou superar esta marca.

“Deus perdoa... eu não!! (Dios perdona…Yo No!) foi o filme que juntou, pela primeira vez, Hill e Spencer. Na verdade, trata-se de uma trilogia, que teve sequência em “Os 4 da Ave Maria” (Los cuatro del Ave María), de 1968, e “Boot Hill”, de 1969. Nesta primeira oportunidade, o filme teve a direção do consagrado diretor Giuzeppe Colizzi e, como característica principal desta produção, há o fato de que este foi o único trabalho sério protagonizado juntos por Spencer e Hill. Após isso, todos os trabalhos que fizeram juntos ocorreram dentro do hilariante clima da comédia de ação. No caso de “Deus perdoa... eu não!”, portanto, foi a única ocasião em que o humor esteve menos presente no roteiro.

O filme pode ser considerado sombrio e ultraviolento, e em seu lançamento foi muito difícil de ser digerido pela crítica, razão pela qual também foi bastante castigado. Alguns podem dizer que é um filme raro de se ver hoje porque seus protagonistas estão associados à comédia de ação, porém, o que esta produção demonstrou é que eles também podiam ser sérios e conservar a mesma essência dentro de um roteiro distinto.

O começo do filme é muito forte, com a chegada de um trem a uma festiva estação ferroviária, onde, para a surpresa geral, todos os passageiros, misteriosamente, aparecem mortos. Um verdadeiro massacre. O diretor faz absoluta questão de mostrar ao expectador, em tomadas ricas em detalhes, o amontoado de cadáveres, uns sobre os outros, nos vagões. As cenas são bem sinistras. O massacre, tudo indica, foi realizado por um perigoso bandido da região, chamado Bill San Antônio, aqui interpretado por outro grande ator, Frank Wolff (Era uma vez no oeste).

Na trama, o personagem de Terence Hill é Cat Stevens, um pistoleiro hábil no manejo da pistola, que vive de roubos e apostas no pôker. O seu parceiro e amigo, é o não menos perigoso Hutch Bessy, personagem de Spencer. À princípio, Hutch Bessy se mostra bastante desconfiado da forma como ocorreu o assalto ao trem. Todas as evidências apontam para Bill San Antônio. Ao contar suas suspeitas para Cat Stevens, este decide partir sozinho, em sua própria investigação. O motivo da investigação particular de Cat Stevens é que ele próprio já havia se defrontado com Bill San Antônio, alguns meses antes, em um duelo mortal, ocasião na qual o bandido foi baleado e, supostamente, havia morrido no incêndio da cabana onde se enfrentaram.

Cat Stevens (Hill) monopoliza mais da metade do filme, relembrando, em flashes, tudo que ocorreu, nos meses anteriores, até o desfecho, onde ocorreu a suposta morte de Bill. Com todos os holofotes voltados para Cat, o expectador quase é levado a esquecer, por um momento, a presença de seu fiel parceiro, porém, embora Hutch Bessy não apareça muito, na primeira metade do filme, a trama sugere que, enquanto isso, ele também conduzia secretamente as suas investigações. Por fim, a dupla conclui que Bill fingiu a própria morte e, de olho na fortuna roubada, decidem se apoderar do pesado baú do bandido e tentar passá-lo para trás. ,

O filme é bem diferente e vai completamente na contramão do estilo que a dupla faria nos anos posteriores. Por isso mesmo, aqui temos um spaguetti western bastante sombrio, com cenas brutais de violência e personagens onde não existem heróis. Por exemplo, Cat Stevens, o personagem principal, não é tão diferente de Bill San Antonio, o vilão da trama. Cat Stevens e Hutch Bessy são, sim, exemplos clássicos de anti-heróis.

O estilo sério como este filme foi produzido mudaria, nos trabalhos posteriores da dupla Hill-Spencer, onde passariam a interpretar personagens carismáticos e queridos, com códigos éticos e de honra, que incomodariam apenas aos bandidos, homens maus ou corruptos. Uma das razões pelas quais é muito interessante assistir “Deus perdoa... eu não!”, é que esta é uma rara oportunidade que o expectador ou fã do gênero tem para ver a famosa dupla em ação, atuando em um estilo bem diferente.

O filme foi realizado na famosa região espanhola de Almería, e um dos destaques ficou por conta da música forte e envolvente de Carlo Rustichelli (creditado como Oliver Angel Pina), que foi um dos compositores mais requisitados da Itália, com cerca de 250 filmes no currículo. Para “Deus perdoa... eu não!”, a música de Rustichelli se encaixa perfeita, soando forte e poderosa no clima do filme, desde o princípio até o seu final.

A química dos protagonistas, em cena, era fantástica, e ao vê-los reunidos nesta primeira produção, já se poderia imaginar que voltariam a trabalhar juntos novamente. Isto porque eles formavam uma equipe com um magnetismo muito especial para as páginas históricas dos spaghetti westerns. “Deus perdoa... eu não!”, foi apenas o começo de tudo. A mão do diretor Giuseppe Colizzi e a cuidadosa produção, num estilo realmente sério, agradam em cheio até o mais exigente seguidor do gênero. Este é um spaghetti western de primeira e que vale a pena ser conferido.

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