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Por Um Punhado de Spaghetti Westerns - PPSW

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Entrevista com Enzo G. Castellari

Posted by Henrique Sousa on March 26, 2012 at 12:15 AM
  •   PPSW reproduz entrevista com o renomado Enzo G. Castellari, diretor de Keoma, concedida a David G. Panadero e publicada no site de cinema Pasadizo.Com. Enzo G. Castellari nasceu em Roma em 29 de julho de 1938. Desde muito jovem já ajudava seu pai, o cineasta Marino Girolami, em todo tipo de tarefa, até debutar, em 1966, dentro do] spaghetti-western. Como um bom homem de ação, Enzo desenvolvia a sua carreira com títulos mais emocionantes, chegando a fazer incursões no gênero policial e ficção-científica, como 1990: Los Guerreros del Bronx (1983). Na atualidade é um cineasta de culto, admirado por criadores como Sam Raimi e Quentin Tarantino. E, temos certeza, guarda mais de uma bala na câmara…

Enzo, teu pai fez uma grande carreira como boxeador, para depois, converter-se num homem do cinema. Poderíamos dizer que dele você herdou suas duas grandes paixões? Vocês trabalharam muito juntos? Você o considera seu professor no mundo do cinema?

Meu pai foi campeão da Europa e abandonou o boxe aos vinte anos, sem perder o título, depois de 163 combates... e em sua carreira como cineasta rodou 163 filmes! Eu aprendi tudo com ele. Tive a sorte de nascer dentro do oficio, já que meu pai trabalhava no cinema, e desde pequen eu o seguia. Quando eram férias escolares, era uma maravilha ir com meu padre ao set de filmagem... As melhores férias! Ao meu irmão e a mim, nos foi apresentado, como primeiros brinquedos, as luvas de boxe... E eu tenho estado sempre treinado, até hoje.

Eu estudava na Academia de Bellas Artes e na Universidade de Arquitetura, e quando não estudava, passava todo o tempo nas filmagens. Nos filmes de meu pai eu fiz de tudo, mas de tudo de verdade! Desde extra, ajudante de produção e chefe de produção, ator, especialista, professor de armas, decorador, arquiteto, montador, roteirista, dublador, diretor de dublagem, ajudante de direção, diretor de segunda unidade... E por fim, diretor! Sem dúvida eu aprendi tudo com meu pai.

Quando debutou como cineasta, você se encantou pelo western. Fica a impressão de que você gostava mais do cinema norteamericano do que o que se fazía em seu próprio país?

Eu cresci com a paixão pelo cinema americano, sobretudo o western. Eu sempre preferi filmes norteamericanos, desde pequeno.

Além disso, todos os teus filmes foram rodados em inglês. Qual você diria que é o seu mercado? A que tipo de público você se dirige?

Todos os meus filmes estão dedicados e oferecidos ao público internacional. Eu trabalho para o grande público... E eu sou, antes de tudo, um espectador. Eu sou o primeiro espectador de meus próprios filmes, e faço de tudo para gostar como espectador. Se um só espectador, vendo um filme meu, um só, se esquece de seus problemas cotidianos porque o espectáculo que lhe apresentei lhe capturou totalmente, eu alcancei meu objetivo, eu bati a marca, eu consegui meu objetivo. O cinema é espectáculo, entretenimento feito apenas para o público.

Um tema que aparece em alguns de seus filmes de western, como "7 Winchester para una matanza" ou "Mátalos y vuelve", é o do exército sulista, que segue rebelando-se e resistindo durante a Guerra de Secessão. Você não acha que é um enfoque bastante original dentro do gênero? De onde vieram estas idéias?

De Tito Carpi, o roteirista com quem trabalho sempre, um homem culto e grande conhecedor da história.

Graças ao cinismo e à violência de seus faroestes, a crítica de então te batizou como “o Sam Peckinpah italiano”. O que você acha do filme Grupo salvaje? Você chegou a conhecer o realizador americano?

Não, somente a memoria. Não sei quantas vezes eu vi o filme, já que eu copiei e imitei cada cena desta maravilhosa obra! Eu conheci Peckinpah em Roma, nas filmagens de um filme de Monte Hellman, com Fabio Testi, mas já estava bastante enfermo. Quando me apresentaram como “o PECKINPAH italiano” eu respondi com um “Que bom... não cair nunca nos compromissos... segue com tuas idéias contra tudo e todos”. E assim eu sempre fiz... com todas as consequências!

Um de seus atores habituais foi Frank Wolff, que havia trabalhado com Sergio Leone. Você também dirigiu a Ken Wood, que havia sido boxeador e especialista antes de ser ator. E Franco Nero foi seu ator mais habitual. O que ocorre para que você fixe em um ator?

Não é tanto o “fixar” como escolher os atores com os quais você trabalha à vontade. Com Franco Nero me entusiasma trabalhar, e somos quase uma ósmose: queremos e gostamos dos mesmos filmes, os mesmos outros atores, diretores e gêneros.

Você fez alguma incursão no gênero de suspense, como “Los fríos ojos del miedo” (1970), ou você entrou no terror, com “Diabla” (1978)? Contudo, você não devia se interessar muito por este tipo de cinema. È verdade que te ofereceram a direção de “Nueva York bajo el terror de los zombi”?

Pena que “Los fríos ojos del miedo” não passou nas telas dos cinemas. A distribuidora fracassou. Depois de uns anos passou na televisão, mas essa é outra história... De “Diabla” se pode contar muitas coisas. Eu não tinha que assinar o filme porque foi realizado sem meios e sem dinheiro, até que o produtor acabou com o pouco dinheiro que havia. Mas para conseguir outro financiamento foi necessário meu nome. Não pararam de ocorrer coisas desagradáveis: o distribuidor italiano comprou o material rodado e mudou muitas cenas, rodando com um péssimo diretor novas imagens repugnantes... Nunca terminei de ver a projeção porque era asquerosa.

Depois, me ofereceram fazer “Zombi 2” e não aceitei a proposta porque nunca gostei de zombis. Mas isso foi um grande golpe de sorte para Lucio Fulci, que aceitou fazer o trabalho, e este filme mudou sua carreira e sua vida.

Você também foi diretor de um filme de culto chamado “La policía detiene, la ley juzga”. Devido resultar muito inovador trabalhar as cámeras na rua e rodar com um estilo tão exageradamente realista… Além disso, este filme inaugurou uma enxurrada de títulos similares. ..

Este filme inaugurou o gênero, e estou orgulhoso do grande éxito que obtive em todo o mundo. Todos os colegas seguiram e imitaram meu filme. Agora, reconheço que Peckinpah me ajudou muito também neste trabalho, já que me fixei em muitas cenas de “La huida”. Também tinha em mente “French Connection” e “Bullitt”.

Foi “Keoma” (1976) o filme que lhe consagrou internacionalmente. E é um filme admirado por legiões de seguidores, entre eles Sam Raimi. Você diria que, dos seus filmes, esse é o seu favorito?

Obviamente, é o filme que mais quero. Por muitas razões… Na próxima entrevista falaremos somente de “Keoma”, e será uma longa entrevista, interessantíssima.

Em 1983 você realizou um díptico de filmes que até hoje seguem sendo homenageadas. “1990: Los guerreros del Bronx” e “Fuga del Bronx”. Nesta ocasião parece que se abriu a você novas influências, como o filme de John Carpenter ou Walter Hill, a música eletrônica, a violência e o colorido do cômico… E o resultado foi excelente, se nos basearmos pelas recordações em bilheteria, não é assim?

“Los guerreros”... foi um êxito incrível... o filme ficou na quinta posição durante muitas semanas, entre os cinquenta filmes de maior bilheteria dos Estados Unidos, segundo a revista Variety. Aparecer incluso na última posição dessa classificação seria um sonho para todos os diretores de cinema... E eu ganhei esta posição por muito tempo. Foi uma grande sorte, que me ajudou muitíssimo em minha carreira americana. Claro que os filmes de Carpenter e Hill me “deram uma mão”, ha ha ha!

O protagonista destes dois filmes foi Mark Gregory, um jovem italiano que apenas se projetou depois nas telas. Você pode nos contar como o conheceu?

Ele era um garoto que treinava no mesmo ginasio onde eu ía. É simples assim.

Um de seus muitos seguidores é o autor de “Pulp Fiction”, Quentin Tarantino. Haveria possibilidade de que surgisse alguma iniciativa conjunta, ou um remake de algum de seus clássicos?

Não é uma possibilidade e sim, uma certeza: Quentin fará o remake de “Aquel maldido tren blindado”, um filme bélico que rodei em 78. Claro que estou muito orgulhoso disso!

Por último, você poderia nos adiantar algo sobre seus futuros projetos? Há algum roteiro à espera de ser posto em imagens?

Tenho uns quantos projetos, que irei detalhando a você à medida que se concretizem.

David G. Panadero (Madrid. Espanha)

Categories: Entrevista


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