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Por Um Punhado de Spaghetti Westerns - PPSW

A Fistful of Spaghetti Westerns

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Ciakmull - L'uomo Della Vendetta - 1970

Posted by Henrique Sousa on September 10, 2017 at 8:55 AM Comments comments (0)

Ciakmull - L'uomo Della Vendetta - 1970

Dirigido por Enzo Barboni.

 

Este foi o filme que eu assisti recentemente. Um spaghetti realmente fascinante. Desses que você não pisca e nem cochila. Aqui o diretor Enzo Barboni (mesmo criador de Trinity) conseguiu reunir um quarteto de peso do Spaghetti Western (Leonard Mann, Woody Strode, George Eastman e Peter Martell), num filme que conta a história de um homem sem memória, que passou três anos numa espécie de 'prisão-hospício', que não sabe seu nome, nem de onde veio, e tampouco, quem é a sua família. Para piorar ainda mais o quadro, a sua família pensava que ele estava morto durante todo esse tempo, e ele tem até uma lápide no cemitério da cidade.

Os atores, George Eastman (Hondo) e Peter Martell (Silver) estão muito bem convincentes neste trabalho. O cérebro do primeiro pensa (o tempo todo) apenas em ouro, o segundo, nem tanto. Aqui, o personagem de Woody Strode é Woody, um homem apegado à sua religião, que morre de maneira muito semelhante em "Keoma" (seis anos depois), alvejado várias vezes, mas caminhando firme até matar o seu oponente. Quanto a Leonard Mann (Chuck Moll), a semelhança com o "Django" de Nero, em algumas cenas, é realmente impressionante. Com aquela roupa preta, suja de lama, e aquele mesmo chapéu, foi a primeira imagem que eu associei.

O título original desse filme é o que você vê aqui, no início do texto. O título em inglês chama-se “The Unholy Four”, numa clara referência aos quatro personagens. O título em espanhol é “Puerta Abierta al Infierno”, que sem dúvida dá uma impressão bem arrasadora ao western.

Em minha opinião, este filme, de Barboni, é muito bom, com cenas de violência e tiroteios muito bem produzidos, e com uma trama diferente que agrada perfeitamente ao fã do gênero. Em outras palavras, quero dizer que aqui não temos uma 'caça ao ouro', muito habitual no Spaghetti Western.

O arquivo desse filme pode ser encontrado na internet em dois tamanhos: 1 hora e 28 minutos, e 1 hora e 30 minutos. As legendas encontradas, em português, são sincronizadas pelo arquivo menor, e não servem para o maior por uma questão de sincronia.

Creio que o filme é super recomendado.

 

Si Pu Fare... Amigo - 1972

Posted by Henrique Sousa on July 7, 2017 at 11:35 PM Comments comments (0)

Assim é Que Se Faz, Amigo – 1972

Dirigido por Maurizio Lucidi


Quando comprei o dvd “Si Può Fare... Amigo”, corri para casa com uma enorme expectativa. O sorriso era de orelha a orelha, afinal, tratava-se de mais um filme com o grande Bud Spencer, e dessa vez, ao lado de outro grande do Spaghetti Western, Jack Palance. Ao colocar o disco no player, a primeira impressão foi a pior possível. É claro que alguns fatores contribuíram para isso, como por exemplo, a imagem chuviscada, desfocada, completamente sem definição, além de uma dublagem realmente ridícula. Isso, sem falar do formato de tela, quadrado, que mais parecia uma bolacha cream craker. Enfim, um conjunto da obra deveras desestimulante. Por conta disso acabei deixando o dvd guardado no acervo por um bom tempo, pois, nessas condições, sinceramente, não deu para assistir.

Recentemente, adquiri uma cópia desse filme, em outro nível de qualidade completamente diferente, e o que vi, realmente me surpreendeu. Aqui não temos um filme violento, no estilo “Django” ou “Por Um Punhado de Dólares”, mas o que o seguidor do gênero vai encontrar, diverte e agrada bastante. No filme o espectador verá Hiram Coburn (Bud Spencer), um homem desengonçado, que não usa armas, mas que é muito bom de briga. Também verá Rufus, o cavalo de Coburn, um fiel companheiro que demonstra ser muito mais esperto do que o próprio dono. Por outro lado temos Sonny Bronston (Jack Palance), um temível e infalível pistoleiro que caça o homem que supostamente “mexeu” com a sua irmã, e por conta disso, quer obrigá-lo a casar-se com ela, para depois matá-lo. Segundo ele, o casamento não devolveria a honra da sua irmã, mas com a morte do marido, ela seria uma viúva respeitada.

Um dos pontos altos do filme é o jovem ator Renato Cestiè, que interpreta Chip Anderson, o esperto garotinho lourinho da trama. Ele herda do tio uma casa velha e abandonada, que todos misteriosamente querem comprar, e que, no final, é onde se descobre um grande poço de petróleo. O casamento dentro da delegacia, com o noivo completamente amarrado, e obrigado a dizer “sim”, é hilariante, e lembra alguns fatos reais que acontecem até hoje em muitas cidades pequenas do interior. Pelo menos, acontecia com frequência, certamente. Aqui, o rude Hiram Coburn acaba sendo obrigado a se casar com a doce e meiga Mary Bronston (Dany Saval), que após o casamento, instantaneamente se transforma na mulher mais rabugenta e insuportável de todo o ciclo Spaghetti Western.

Além desses tópicos que mencionei, há inúmeros outros que fazem desse filme um bom entretenimento. É claro que não vou recomendar que o seguidor assista ao dvd nacional, pois, a julgar pelo que eu tenho, que é daqueles que as pessoas chamam de “original”, a qualidade, em todos os quesitos, é extraordinariamente decepcionante. É bem melhor procurar na net, para download, e depois, baixar a legenda. Quanto ao filme, grande atuação de Spencer e Palance. Está bem recomendado.


Os Canhes de San Sebastian - 1968

Posted by Henrique Sousa on July 5, 2017 at 7:55 AM Comments comments (0)

Los Cañones de San Sebastián – 1968

Dirigido por Henri Verneuil


Este é um filme realmente fantástico, e que me agradou bastante, cujos comentários e curiosidades, publico aqui. Trata-se de uma coprodução entre França e Itália (algumas publicações também incluem o México), que tem algumas curiosidades bem interessantes. Ao contrário do lendário solo de Almeria, na Espanha, aqui, todas as locações foram realizadas em território mexicano, mais precisamente nas regiões de Durango, El Saltito e San Miguel de Allende. Apesar disso, é um Spaghetti Western. O filme também tem uma forte credencial, no quesito trilha sonora, que é a composição sob a batuta do grande Ennio Morricone. Dessa vez, não temos as costumeiras tramas de vingança ou caça ao ouro, dos Eurowesterns, mas a trama é realmente muito interessante. Leon Alastray (Anthony Quinn) é um bandido revolucionário no México de 1746 que, ferido e perseguido pelo exército espanhol, acaba invadindo, à cavalo, uma igreja repleta de fiéis, no exato momento da missa. Lá ele recebe a proteção de Padre Joseph (Sam Jaffe), que não o entrega às autoridades. Como punição, Padre Joseph é transferido para uma longínqua paróquia, há 12 dias de viagem, atravessando um grande deserto. O rebelde Alastray segue com ele (muito em agradecimento por ter salvo a sua vida), escondido em sua carroça. Após dias de viagem, com fome e sede, depois de perderem a carroça e a mula morrer, conseguem chegar ao povoado de San Sebastian. Eles descobrem um vilarejo abandonado, que foi arrasado pelos índios Yaquis, e cujos moradores se refugiaram nas montanhas. Se não bastasse a árdua viagem, as coisas ficam ainda mais complicadas para Leon Alastray quando Padre Joseph morre, após sua chegada, e o rebelde acaba sendo confundido pelos camponeses, que descem das montanhas, como o novo padre que foi enviado para aquela comunidade, uma vez que usava o manto que o padre havia lhe emprestado, para proteger-se do sol.

Quanto ao elenco, Anthony Quinn está brilhante neste filme, num papel que parece ter sido feito sob medida para ele. Charles Bronson é Teclo, um bandido cruel que aterroriza os pobres camponeses, fingindo dar proteção a eles contra os índios, mas que, ao mesmo tempo, é amigo desses mesmos índios Yaquis.

Os Canhões de San Sebastian é um filme de 1h e 46 minutos, que diverte, especialmente enquanto Padre Joseph está vivo, e repleto de ação, do começo ao fim. Para os fãs e seguidores de Spaghetti Western, é um filme para se ter em acervo, e que vai agradar em cheio ao espectador de qualquer gênero. Filme altamente recomendado.


Bill, il Taciturno

Posted by Henrique Sousa on June 27, 2017 at 9:15 PM Comments comments (0)

Bill, il taciturno – 1967

Dirigido por Massimo Pupillo


Bill (George Eastman ) é um tipo de personagem que é marca registrada no Spaghetti Western. É o típico anti-herói, que está ali, de olho em qualquer dinheiro fácil, mas, ao mesmo tempo, ele é rápido no gatilho, e busca por vingança. Em minha opinião, o personagem Bill foi criado sob medida para George Eastman, muito em razão do seu porte físico avantajado e aparência favorável. A apresentação dos créditos iniciais, com Bill trotando em seu belo cavalo, ficou realmente fabulosa. No geral, em que pese os 16 Spaghettis do ator, penso que temos aqui a sua melhor performance no vasto currículo, o que, sem dúvida, torna este filme muito interessante e agradável aos seguidores do gênero. Alguns críticos apontam a história como mais uma banal repetição de “Por Um Punhado de Dólares”, mas isso, certamente, não deve influenciar o fã do gênero. Não se pode esquecer que o gênero foi todo influenciado pela herança do mestre Sergio Leone, e a receita era boa, razão pela qual os diretores trilhavam sempre para o mesmo rumo. Pessoalmente, eu vejo neste “Bill, Il Taciturno” um ótimo filme, com direção firme de Massimo Pupillo, com excelentes cenas de tiros e bastante violência, como deve ser um autêntico Spaghetti Western. A trilha sonora, de Berto Pisano, está bem ao estilo do gênero, o que torna o clima da trama, especialmente na travessia pelas montanhas, bem tenso e repleto de suspense.

Como curiosidade, o título original do filme é “Bill, Il Taciturno”, entretanto, o personagem também é chamado de Django, em alguns países como a França, Alemanha, EUA e Grécia. Assistindo à cópia americana (Django Kills Softly), percebi que durante toda a trama, o personagem é chamado de Bill, e apenas em uma única cena, já no final, é chamado de Django, por Linda (Liana Orfei), que acaba sendo seu par romântico na história. Se bem que no Spaghetti não é comum o mocinho ficar com a mocinha, no final.

Sobre o dvd desse filme, não tenho conhecimento se alguma distribuidora o lançou no mercado brasileiro. O que sei é que há uma cópia, legendada, em português, rolando pela internet, para download. Essa mesma cópia pode ser encontrada no YouTube, o que facilita aos seguidores assistir e avaliar o filme. Isso é muito bom, mesmo a imagem não sendo de boa qualidade e tendo alguns trechos cortados. Em suma, temos aqui um ótimo western que vai agradar em cheio ao mais spagheteiro dos seguidores.


Texas, Adeus - 1966

Posted by Henrique Sousa on June 27, 2017 at 7:45 PM Comments comments (0)

Texas, Addio - 1966

Dirigido por Ferdinando Baldi


Quando digo que este é um filme com muitas qualidades, é a mais pura verdade. A começar pelo título que, definitivamente, tem um lugar de destaque no gênero. Além do mais, o espectador pode observar que a sua fascinante e genial fotografia, eleva ao extremo a semelhança da região de Almeria com o Texas, ou mesmo o México, o que torna a atmosfera western a mais real possível.

Também tem o destaque da trilha sonora, de Anton Garcia Abril, e da mão firme e maestra do diretor Ferdinando Baldi, que aqui realiza uma história de justiça com boa dose de violência, regada a belíssimas e perfeitas cenas de tiros, que é exatamente o que o seguidor do gênero mais gosta.

Na trama, Burt Sullivan (Franco Nero) é um homem da lei numa cidade do Texas. Certo dia ele toma conhecimento de que o homem que matou seu pai, um assassino chamado Cisco Delgado (José Suárez), está escondido no México. Burt decide ir em busca do assassino e trazê-lo para ser julgado no Texas. Seu irmão mais novo, Jim (Alberto Dell'Acqua), se une a ele nesta busca. O que os dois irmão não imaginam, é que nesta jornada, a dimensão dos segredos que serão descobertos acerca do homem que buscam, mudarão suas vidas para sempre..

No elenco, além de Nero, Dell'Acqua e José Suárez, há também as presenças de Elisa Montés e Luigi Pistilli.

Por fim, este é um filme que sacramentou de vez o nome de Franco Nero no cenário internacional, num ano (1966) bastante produtivo, em que ele realizaria, ao todo, quatro Spaghettis: Django; Adiós, Texas; Tempo di Massacro; Gli Uomini dal Passo Pesante.

Este é um Spaghetti que o fã do gênero não pode deixar de ter ou assistir.

 

Django No Espera... Mata - 1967

Posted by Henrique Sousa on September 21, 2016 at 7:10 PM Comments comments (0)

 

Non Aspettare Django, Spara – 1967

Dirigido por Edoardo Mulargia (aqui creditado como Edward G. Muller)

 

Este é um spaghetti realizado com muita cautela, e sem nenhuma pretensão de alcançar grandes glórias, como é o caso dos grandes clássicos. Apesar disso, o filme é muito bom, com uma trama muito bem elaborada, que pode até dar um nó na cabeça do fã do gênero.

Quer tentar? Vejamos:

- O pai de Django Foster é assaltado e assassinado por um bandido chamado Navarro.

- Pouco depois, Navarro é enganado por seu próprio filho, que foge para uma cidade fronteiriça com o dinheiro.

- Quando Navarro chega, seu filho está morto, e o dinheiro desaparecido.

- Furioso e ansioso, Navarro quer matar Django (que está ali para vingar a morte do pai), mas não sabe que este não é o responsável pela morte do filho, e sim, um sujeito chamado Gray, que com a ajuda da sua noiva, Judy, pretende fugir com o dinheiro.

- Barrica, um conhecido de Django, descobre sobre Gray, e este é assassinado em um duelo.

- Navarro e Alvarez, um velho inimigo dos Foster, chamam um pistoleiro famoso chamado Hondo, para recuperar o dinheiro.

- A primeira coisa que Hondo faz é sequestrar Mary, a irmã de Django.

Parece complicado? Pode ser, mas o seguidor pode entender melhor quando assiste ao filme no conforto do seu sofá.


Elenco: Ivan Rassimov, Ignazio Spalla, Rada Rassimov, Vincenzo Musolino, Gino Buzzanca, Franco Pesce, Celso Faria, Marisa Traversi.

Música: Felice Di Stefano

Henrique Sousa

Killer Kid - 1967

Posted by Henrique Sousa on September 21, 2016 at 7:10 PM Comments comments (0)

Killer Kid - 1967

Dirigido por Leopoldo Savona.


O que dizer desse belo filme que eu assisti esses dias? Este interessante spaghetti, da linha Zapata Western, divide opiniões de vários "críticos" especializados do gênero. Enquanto alguns o consideram muito aceitável e dentro da média, outros o classificam como um filme fraco. Opiniões à parte, esta celeuma de Babel mostra apenas que cada um tem o seu próprio ponto de vista, onde o que fica é a sensação do dever cumprido ao divulgá-lo. É como diz Blondie, em Três Homens em Conflito: "cada arma produz o seu próprio som".

Sobre o filme, percebo que há uma diferença significativa para os spaghetti mais representativos dessa linha, como “Tepepa”, “Il Mercenario” ou “Quien Sabe?”, que apresentam uma forte reflexão ideológica sobre o significado e a necessidade da Revolução Mexicana. No caso deste Killer Kid, a Revolução é apenas um pretexto que serve de ambiente para produzir um belo filme de aventuras.

Dois monstros sagrados dos spaghetti, Anthony Steffen e Fernando Sancho, tocam o filme. Sancho interpreta o seu habitual papel de mexicano gordo, extrovertido e carismático. Steffen deixa de lado qualquer resíduo cômico e adota uma postura muito séria, dedicando-se à causa revolucionária, sem palestras ou palanques, mas com muitos tiros, matando rebeldes a torto e a direito.

Aqui temos uma das melhores atuações do extenso currículo de Anthony Steffen, sem nenhuma dúvida.

Para mim, o filme está altamente recomendado.


Elenco: Anthony Steffen , Luisa Baratto, Fernando Sancho , Giovanni Cianfriglia, Tom Felleghy, Fedele Gentile, Howard Nelson Rubien, Virginia Darval, Adriano Vitale, Ugo Adinolfi.

Música: Berto Pisano

Henrique Sousa

De Mis Enemigos me Ocupo Yo! (1968)

Posted by Henrique Sousa on February 10, 2016 at 8:55 PM Comments comments (0)

Dai Nemici mi Guardo io! - 1968

Dirigido por Mario Amendola (aqui creditado como Irving Jacobs)

Música de Carlo Rusticelli


No meio ambiente cinematográfico, Mario Amendola é muito conhecido pela preciosa contribuição de seus roteiros em inúmeras produções. Em seu extenso currículo, o incansável roteirista contabiliza mais de 150 filmes nos quais os créditos apontam o seu nome no quesito roteiro.

No ciclo spaghetti western são diversos os roteiros creditados a Mario Amendola, entre eles “Il Grande Silenzio” (1968; “O Último Samurai do Oeste” (1974); “Los Hijos del Día y de La Noche” (1972); “O Dia da Violência” (1967); “Gringo, Dispare Sem Piedade” (1968; “Pistolero Mortal ... a Vece” (1972), entre outros. Entretanto, como diretor, os filmes "De Mis Enimigos Me Ocupo Yo!" (1968 e “Il Terrore dell'Oklahoma” (1959) foram suas únicas incursões no spaghetti western, o que pode parecer pouco para quem respirou por tanto tempo a atmosfera do subgênero.

O filme está repleto de tudo que o fã do autêntico faroeste mais gosta: ação, aventura e um roteiro sério, onde a trama central se assemelha bastante ao terceiro filme da Trilogia dos Dólares, de Leone. Aqui, o referencial é o ouro supostamente enterrado após a Guerra de Secessão pelo exército confederado com o objetivo de que não caísse nas mãos dos nortistas.

O mapa desse cobiçado tesouro são três moedas de dólar muito especiais que, uma vez reunidas, podem determinar a localização exata do lote. Nessa busca sangrenta, três indivíduos estão dispostos a tudo para por as mãos nesse precioso tesouro: um gringo, um mexicano de intenções duvidosas e um vilão realmente muito mau.

Me chamou a atenção, neste filme, a atuação de Charles Southwood, bastante convincente, garantindo os requisitos mínimos de um perigoso pistoleiro, sedento por ouro e com um perfil bastante semelhante ao do Homem Sem Nome, de Clint Eastwood. Outro detalhe marcante é a aparência de Southwood, de barba, bem diferente do que o fã viu em “Com Sartana Cada Bala é uma Cruz”, onde atuou bem arrumadinho, atuando como Sabata. No meu caso, tive que correr aos créditos para conferir se, de fato, era Charles Southwood.

Na parte cômica, Julián Mateos é o extrovertido mexicano Hondo, que se torna “amigo” de Alan Burton (Southwood), mas que na verdade se mostra mais ganancioso e mortal do que os outros dois concorrentes ao lote de ouro. No papel de mauzão, Mirko Ellis é El Condor, um mexicano impiedoso caracterizado pela sua fervorosa devoção religiosa e que lidera um bando de temíveis foragidos na região.

A trilha sonora do filme, por conta de Carlo Rustichelli, é um ponto altamente positivo, e a canção de abertura (Where is My Fortune), cantada por Ico Cerutti, se repete ao longo de todo o filme, criando a atmosfera perfeita dentro da trama.

Com elementos bem convincentes, o filme acaba agradando a todo fã do gênero que gosta de ver um autêntico faroeste, com ação e tiroteios do início ao fim. Vale a pena conferir.

 

Elenco:

Charles Southwood, Julián Mateos, Alida Chelli, Mirko Ellis, Ivano Staccioli, Lorenzo Robledo, Pietro Ceccarelli, Dada Gallotti, Raoul Racceis, Marco Rual, Maria Mizar, Piero Morgia, Roberto Biciocchi.

 

Voltaire:

"Deus me defende dos amigos, que dos inimigos me defendo eu".

Henrique Sousa

 


Django No Perdoa... Mata - 1967

Posted by Henrique Sousa on January 24, 2016 at 7:30 AM Comments comments (0)

L'uomo, l'orgoglio, la vendetta - 1967

Dirigido por Luigi Bazzoni


Antes de mais nada, quero garantir ao leitor que este filme não é um western. O fato dele estar inserido no seio deste subgênero ocorre porquê, desde o princípio, foi classificado como faroeste em países como Alemanha e Brasil.

 

Em sua essência, este filme é um "drama romântico", e não um western. Na verdade, a participação de grandes atores como Franco Nero ou Klaus Kinski, levaram as distribuidoras a divulgarem o filme sob o rótulo de spaghetti western, porém, o que o expectador constata é muito diferente. Na trama, José (Franco Nero) é um humilde militar do exército espanhol, que encontra Carmen (Tina Aumont), uma bela jovem cigana. A partir daí, tem início um complicado relacionamento envolvendo os mais complexos sentimentos e reações: violência, ciúme, ganância, homicídio, sexo e traição.

 

De uma coisa o fã de western (ou mesmo de qualquer ator do elenco) pode ter absoluta certeza: a ação do filme não ocorre no Oeste americano, e nem sequer na fronteira mexicana.  A trama ou ação acontece na Espanha, mais precisamente na região de Andaluzia, do final do século XIX. Uma vez que o filme é uma produção de 1968, por pura conveniência, e de olho em uma melhor bilheteria, aproveitaram o momento de auge dos westerns europeus para “caracterizar” o filme como parte desse subgênero.

 

O que, muito provavelmente, poucos sabem, é que originalmente, este filme foi uma adaptação da obra "Carmen", do escritor francês Prosper Mérimée, escrita no século XIX. Depois, alguns anos mais tarde, foi transformada em ópera por George Bizet.

 

No Brasil, o filme tem cópia lançada pela Ocean Pictures com um impactante título de "Django não Perdoa... Mata", levando o fã a navegar do entusiasmo à decepção, em razão de o filme justamente não ser, de fato, um spaghetti western, como o título prometeu - a bem da verdade, ninguém pode negar que o título "Django não Perdoa... Mata" não seja, definitivamente, algo realmente muito sugestivo.

Na Alemanha, um forte mercado consumidor do subgênero, como era de se esperar, o filme também levou a questão do titulo na mesma direção: "Mit Django kam der Tod", que pode, mais ou menos, ser traduzido como "Com Django veio a Morte" (se eu não estiver enganado quanto a minha interpretação ao pé da letra),  numa clara intenção, ou esforço, de relacioná-lo ao efervescente pacote de western europeu daquele momento.

 

No resumo de tudo, é um filme difícil de ser julgado por quem entende de western, uma vez que não se trata de um filme desse gênero. Aqui temos, definitivamente, um drama romântico, onde o grande Nero até que se esforçou, e teve uma ótima atuação, mas, é evidente que apenas isso não foi suficiente para tornar este filme um sucesso de bilheteria, e isso justamente em razão de ter sido vendido para o público errado. De fato, pode se dizer que o ávido fã de spaghetti western detestou o filme, entretanto, muitos, de preferências bem mais ecléticas, poderão gostar bastante, pelo fato do conteúdo romântico e dramático.

 Henrique Sousa

Um Dlar Para Sartana - 1971

Posted by Henrique Sousa on November 13, 2012 at 9:50 PM

Su Le Mani, Cadavere! Sei in Arresto - 1971

Dirigido por Sergio Bergonzelli (aqui creditado como Leon Klimovsky)


Depois de uma devastadora batalha na Guerra Civil americana; Grayton (Aldo Sambrell), um oficial da União, montado em seu cavalo, dá um tiro de misericórdia em todos os feridos e desarmados sobreviventes do exército confederado que vai encontrando pelo campo de batalha.  Em uma casa onde os feridos recebem tratamento, ele entrega sua arma a um jovem médico, e ordena que ele mate um soldado enfermo. Com a arma em punho, o jovem médico hesita e, nesse momento, um dos feridos atira no cruel oficial. Baleado em uma das mãos, Grayton consegue fugir.  Tempos depois, o jovem médico, conhecido como Sando Kid (Peter Lee Lawrence) é treinado por este homem ferido e se junta ao Rangers do exército, patrulhando o lado sem lei do território. Tornando-se um dos melhores homens na força, ele é enviado para sua cidade natal, Springfield, para lidar com um grupo de bandidos, liderados por Grayton, que estão aterrorizando a população local a vender suas terras para que ele possa vendê-las para a estrada de ferro.


Os spaghetti westerns dos anos 70 tiveram uma quantidade considerável de filmes produzidos com recursos de truques muito bem elaborados (caso dos Kung Fu Westerns),  sem falar também das comédias pastelão.  Entretanto, Um dólar para Sartana acabou sendo um filme completamente diferente, com uma história muito familiar, bem similar aos filmes clássicos americanos. O primeiro quarto de hora da trama fornece quase uma montagem do desenvolvimento de Sando, de um médico tímido, para um Ranger mortal. E tudo isso muito rapidamente, fato que  poderia ter sido mostrado por muito mais tempo, mesmo não  ajudando  a dar um fundo para o personagem, nem a diferenciá-lo do típico herói dos spaghetti westerns, que surge cavalgando do nada.  O resultado acaba fazendo de Sando Kid um Ranger  e um herói puro. Não o típico caçador de recompensas, anti-herói, porém, o expectador verifica que esses ingredientes apenas ajudam a confirmar essa atmosfera de faroeste americano. Embora as cenas de abertura definam um tom muito sombrio ao filme, no decorrer da trama, também há momentos de grande leveza que, geralmente, descontrai bastante com situações muito engraçadas.  O filme tem alguns momentos narrativos que causam leve confusão ao roteiro, mas, no resumo, funciona muito bem, e o ritmo é bom, com cenas de ação freqüentes, levando a um clímax inevitável, porém, muito bem montadas e trabalhadas.


O diretor Leon Klimovsky, mais conhecido por seus filmes de terror espanhol, foi muitas vezes classificado como um profissional incompetente, entretanto, seu trabalho em Um dólar para Sartana é bastante elogiável. Um ponto muito positivo é que quase todo o trabalho é filmado com câmeras de mão, dando à ação, cenas de um verdadeiro sentido de drama. Além disso, um olhar mais crítico pode observar algumas edições muito eficientes por todo o filme. O renomado compositor  Alessandro Alessandroni oferece uma trilha sonora bastante apropriada e eficaz, bem ao estilo spaghetti western.


O jovem ator, na época, Peter Lee Lawrence, assume o papel principal neste filme, aqui,  ladeado por um  elenco de primeira, e sabendo bem da necessidade de se desenvolver e rapidamente se aperfeiçoar, no cinema,  transformando-se de garoto em homem. Destaque para a forte presença, sempre muito frequente nos spaghetti westerns da época, de Aldo Sambrell, no papel de  Grayton.  Outra importante participação é a da atriz alemã Helga Liné, que frequentemente participava de filmes de horror, na Espanha. O expectador também verá outras participações como a de Aurora del Alba (Vingança dos Zombies (1973)) no papel de mãe de Leonor, e Agostini Franco (The Case of the Bloody Iris (1972)) como Padre Brown.. Por outro lado, o desconhecido Espartaco Santoni e a bela Maria Zanandrea têm atuações destacadas interpretando Dólar e Leonor, mesmo ficando a impressão que poderiam dar muito mais de si neste trabalho.

 

Bem escrito, dirigido e com ótimas atuações, Um dólar para Sartana é um filme surpreendentemente muito bom, de um tempo quando os Spaghetti Westerns já começavam a dar sinais de declínio. Como em tantos outros, o filme também pega  carona na fama e popularidade do personagem Sartana para nomear o título em francês e espanhol, mesmo não tendo ninguém com esse nome na trama. Não há grandes surpresas no roteiro, e nada que não tenha sido feito antes em faroestes europeus ou americanos, mas todo o resultado acaba sendo muito bem recebido sob o ponto de vista da crítica e dos seguidores. O filme é altamente recomendado para os fãs do gênero, porém, não é  a melhor introdução para os recém-chegados.


 

Elenco: Espartaco Santoni, Peter Lee Lawrence, Helga Liné, Franco Agostino (creditado como Frank Agostino), Aldo Sambrell, Aurora de Alba, Tomás Blanco, José Canalejas, Lorenzo Robledo, Alfonso de la Vega, Maria Zanandrea (creditado como Mary Zan), Luis Barboo, Simon Arriaga, Joaquin Parra, Giovanni Santoponte, Antonio Cintado, Rafael Cores, Rafael de la Rosa

Música: Alessandro Alessandroni


Poucos Dlares Para Django - 1966

Posted by Henrique Sousa on September 16, 2012 at 11:00 PM

Pochi Dollari per Django - 1966

Dirigido por...pode parecer meio confuso, mas, este filme foi dirigido por Enzo G. Castellari, que aqui está creditado apenas como diretor assistente. Quem está apontado como diretor é Léon Klimovsky·

 

Há quem diga que o ano de 1966 foi o mais importante de todo o ciclo Spaghetti Western.  Os registros de lançamentos foram inúmeros nessa ocasião, e, para muitos,  foi neste ano que o gênero realmente decolou, com o famoso "Django", de Sergio Corbucci, que praticamente abriu o caminho para a enxurrada de filmes que estaria por vir.  Com o lançamento e a popularidade alcançada por “Django”, o mercado passou a seguir uma tendência, onde dezenas de filmes foram lançados, com títulos renomeados, numa clara tentativa de pegar carona no sucesso de “Django”. Dessa forma, assim como “Django atira Primeiro”, de Alberto de Martino, lançado meses antes, “Alguns dólares para Django” (Pochi dollari per Django), também foi renomeado, para lucrar com o sucesso e notoriedade do “Django” de Corbucci.

“Alguns dólares para Django” está cercado de curiosidades que ficarão para sempre nas páginas históricas do gênero. Um deles chama a atenção, em particular, e, certamente, pode ter passado despercebido de boa parte de fãs e seguidores em todos os países onde foi lançado. Diz respeito ao  título original que, da maneira como está escrito nos créditos de abertura do filme, o espectador lê “Diango”, com “i” mesmo, e não “Django”, com “j”, como o personagem de Corbucci acabou ficando conhecido no mundo.

 O filme começa com o caçador de recompensas, Django (também chamado de Regan), enfrentando membros da perigosa gangue de Jim Norton. Missão cumprida,  ele retorna a seus empregadores que lhe informam que o líder de gangue, Jim Norton, foi morto mas, que dois de seus homens,ainda estão foragidos. Django (Anthony Steffen) dirige-se para Montana,  em busca desses homens,  e para encontrar Trevor, irmão gêmeo de Jim Norton, na esperança de que ele possa ajudar em sua missão. O que Django não contava é que a região vivia um momento de conflito extremo, onde pecuaristas lutavam contra os agricultores. Em sua cavalgada até a pequena cidade de MileCity, onde vivia Trevor Norton, Django  se depara com um xerife assassinado. Sem mais nada a fazer por aquele homem morto, ele  decide levar a sua estrela dourada. Tudo indicava que  um  homem da lei estava sendo aguardado na cidade e, com a sua chegada, Django acaba sendo confundido como o novo xerife. Com a confusão,  ele se vê envolvido e arrastado para um violento conflito, entre agricultores e pecuaristas, que muitas vezes também é bastante cruel. Assumindo de vez a identidade de xerife, Django se vê diante de outra batalha muito pessoal: ele poderá trabalhar para tentar resolver a situação e trazer a paz para a cidade, ou será que seus instintos de caçador de recompensas falarão mais alto?

 “Alguns Dólares para Django” é surpreendentemente bem roteirizado para um filme de faroeste.  Mesmo o espectador mais casual pode descobrir que o argumento do "irmão gêmeo" é improvável, e que acaba por ser apenas isso. O  filme mantém o espectador imaginando e  adivinhando o tempo todo. Parece bastante decente a motivação de fazendeiros e agricultores com suas rixas e diferenças.  Muitos spaghetti westerns usaram a Revolução Mexicana como ponte para obter grandes e violentas gangues de homens, armados até os dentes, saqueando e atacando uns aos outros. No caso de “Alguns dólares para Django”, impressionantemente, nem os fazendeiros, nem osagricultores,  são mostrados como sendo os "maus" da trama.  Ambos os lados usam a violência e, embora os fazendeiros ataquem  mais brutalmente, são os agricultores que, aparentemente, provocam a coisa toda, erguendo suas cercas de arame  farpado. A estimulação é bastante decente, e o clímax do filme funciona perfeitamente.  Por outro lado, o filme  cai na armadilha de muitos filmes do gênero:   os bandidos levam muito tempo para decidir a eliminação do xerife.   Embora estejam preparados para matar a qualquer momento, eles ficam muito tempo parados com relação ao xerife.  A verdade é que o script,  como um todo,  apresenta traços de  influência do western americano,  e muito deste filme poderia ser confundido como um faroeste hollywoodiano. A diferença está na violência excessiva deste spaghetti western.

 Sabe-se que o orçamento da produção foi, obviamente, bastante substancial para este filme. Olhando minunciosamente,  há uma abundância de extras ao seu redor. tanto na forma de grandes grupos de atiradores montados a cavalo, como também na grande quantidade figurantes, nas cenas de rua, da cidade.  No entanto, no que diz respeito à direção, ela pode ser analisada como fraca e polêmica. Por exemplo, o enquadramento é muitas vezes terrível e,  de acordo com Enzo G. Castellari , que neste trabalho, está creditado como assistente de direção,  sob o nome Enzo Girolami, o diretor oficial (o espanhol Leon Klimovsky) foi tão incompetente e desinteressado  no material,  que o próprio Castellari  foi quem dirigiu  grande parte do filme.  As cenas de luta são muito distintas. Assim como em “Texas Adeus”, de Ferdinando Baldi, do mesmo ano, elas parecem ter sido realizadas com dublês treinados,  onde se percebe que muitos movimentos de luta são muito bem coreografados, bem como algumas  cenas de tiros, parecem bem reais e perfeitamente elaboradas.  A música se encaixa perfeita em toda a trama, mesmo não se apresentando forte,como em outros spaghetti westerns, porém, isso é muito mais uma necessidade  de fundo, o que acaba soando quase imperceptível.

 Em suma, “Alguns Dólares para Django” pode ser considerado um ótimo filme, que se utilizou de ótimos cenários, bem parecidos com os americanos,e com sets de filmagens de boa qualidade. Com um elenco de ótima qualidade, a atuação dos protagonistas acaba se sobressaindo, compensando uma batuta considerada polêmica e desajustada. Quanto à trilha sonora, embora não se apresente poderosa como em outros spaghetti westerns, como em “O bom, o mau e o feio” ou “À sombra de uma arma”, o espectador logo  percebe  que se trata de um faroeste italiano, em razão de seu sotaque inconfundível.  Por outro lado, o roteiro é bastante elogiável e as cenas de lutas muito bem coreografadas. A qualidade da imagem de “Alguns dólares para Django”, arquivo disponível no acervo do site, é excelente, com formato de tela widescreen panorâmico, colorido de luxo e legenda em português. O filme é altamente recomendado para os seguidores dos spaguetti westerns e, especialmente, os fãs de Anthony Steffen, que neste trabalho tem brilhante atuação, como sempre. É claro que não se pode deixar de elogiar também a presença e a brilhante atuação do fenomenal Frank Wolff, outro peso pesado do elenco.

 

Elenco: AnthonySteffen, Gloria Osuna, Frank Wolff , Joe Kamel, José Luis Lluch, Tomás Zalde,Alfonso Rojas, Angel Ter, José Luis Zalde, Sandalio Hernándeza , Joaquin Parra,Félix Fernández

 

Música: Carlo Savina


Deus Perdoa... Eu No! - 1967

Posted by Henrique Sousa on July 4, 2012 at 8:35 PM

 Dio Perdona... Io No! - 1967

 Dirigido por Giuseppe Colizzi

 

Este fenomenal spaguetti western, de 1967, do diretor Giuseppe Colizzi, reuniu, pela primeira vez, uma das mais espetaculares, gloriosas, incomparáveis e bem-sucedidas duplas do cinema. Ora, alguém poderia se perguntar: “de quem se trata?”, pois, são várias as duplas que alcançaram fama no mundo do cinema... É a mais pura verdade, entretanto, nesta resenha, nos referimos a Terence Hill e Bud Spencer, cujo estrondoso sucesso se estendeu até para além do gênero spaghetti western.

Poucas são as duplas cuja parceria foi tão perfeita quanto Hill e Spencer, muito embora tenhamos que reconhecer o talento de outras que, carismaticamente, também souberam cativar o público, de modo muito similar. É o caso, por exemplo, de Mel Gibson e Danny Glover, em “Máquina Mortífera”, e mais atualmente, Simon Pegg e Nick Frost em “Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”, de onde se percebe muita similaridade com o público. Em cada filme o entusiasmo é geral e o apoio dos expectadores é garantido.

No caso de Hill e Spencer ocorreu da mesma forma. Tudo começou com este “Deus perdoa... eu não!”, de 1967, considerado o pontapé inicial da trajetória de ambos. O filme era essencialmente sério e muito violento, e não apresentava nenhum ingrediente das hilárias comédias que os consagrariam mais adiante. Nessa ocasião, embora não soubessem, eles ainda voltariam a trabalhar juntos em outros 16 filmes. As duplas atuais precisariam mostrar muito serviço para igualar ou superar esta marca.

“Deus perdoa... eu não!! (Dios perdona…Yo No!) foi o filme que juntou, pela primeira vez, Hill e Spencer. Na verdade, trata-se de uma trilogia, que teve sequência em “Os 4 da Ave Maria” (Los cuatro del Ave María), de 1968, e “Boot Hill”, de 1969. Nesta primeira oportunidade, o filme teve a direção do consagrado diretor Giuzeppe Colizzi e, como característica principal desta produção, há o fato de que este foi o único trabalho sério protagonizado juntos por Spencer e Hill. Após isso, todos os trabalhos que fizeram juntos ocorreram dentro do hilariante clima da comédia de ação. No caso de “Deus perdoa... eu não!”, portanto, foi a única ocasião em que o humor esteve menos presente no roteiro.

O filme pode ser considerado sombrio e ultraviolento, e em seu lançamento foi muito difícil de ser digerido pela crítica, razão pela qual também foi bastante castigado. Alguns podem dizer que é um filme raro de se ver hoje porque seus protagonistas estão associados à comédia de ação, porém, o que esta produção demonstrou é que eles também podiam ser sérios e conservar a mesma essência dentro de um roteiro distinto.

O começo do filme é muito forte, com a chegada de um trem a uma festiva estação ferroviária, onde, para a surpresa geral, todos os passageiros, misteriosamente, aparecem mortos. Um verdadeiro massacre. O diretor faz absoluta questão de mostrar ao expectador, em tomadas ricas em detalhes, o amontoado de cadáveres, uns sobre os outros, nos vagões. As cenas são bem sinistras. O massacre, tudo indica, foi realizado por um perigoso bandido da região, chamado Bill San Antônio, aqui interpretado por outro grande ator, Frank Wolff (Era uma vez no oeste).

Na trama, o personagem de Terence Hill é Cat Stevens, um pistoleiro hábil no manejo da pistola, que vive de roubos e apostas no pôker. O seu parceiro e amigo, é o não menos perigoso Hutch Bessy, personagem de Spencer. À princípio, Hutch Bessy se mostra bastante desconfiado da forma como ocorreu o assalto ao trem. Todas as evidências apontam para Bill San Antônio. Ao contar suas suspeitas para Cat Stevens, este decide partir sozinho, em sua própria investigação. O motivo da investigação particular de Cat Stevens é que ele próprio já havia se defrontado com Bill San Antônio, alguns meses antes, em um duelo mortal, ocasião na qual o bandido foi baleado e, supostamente, havia morrido no incêndio da cabana onde se enfrentaram.

Cat Stevens (Hill) monopoliza mais da metade do filme, relembrando, em flashes, tudo que ocorreu, nos meses anteriores, até o desfecho, onde ocorreu a suposta morte de Bill. Com todos os holofotes voltados para Cat, o expectador quase é levado a esquecer, por um momento, a presença de seu fiel parceiro, porém, embora Hutch Bessy não apareça muito, na primeira metade do filme, a trama sugere que, enquanto isso, ele também conduzia secretamente as suas investigações. Por fim, a dupla conclui que Bill fingiu a própria morte e, de olho na fortuna roubada, decidem se apoderar do pesado baú do bandido e tentar passá-lo para trás. ,

O filme é bem diferente e vai completamente na contramão do estilo que a dupla faria nos anos posteriores. Por isso mesmo, aqui temos um spaguetti western bastante sombrio, com cenas brutais de violência e personagens onde não existem heróis. Por exemplo, Cat Stevens, o personagem principal, não é tão diferente de Bill San Antonio, o vilão da trama. Cat Stevens e Hutch Bessy são, sim, exemplos clássicos de anti-heróis.

O estilo sério como este filme foi produzido mudaria, nos trabalhos posteriores da dupla Hill-Spencer, onde passariam a interpretar personagens carismáticos e queridos, com códigos éticos e de honra, que incomodariam apenas aos bandidos, homens maus ou corruptos. Uma das razões pelas quais é muito interessante assistir “Deus perdoa... eu não!”, é que esta é uma rara oportunidade que o expectador ou fã do gênero tem para ver a famosa dupla em ação, atuando em um estilo bem diferente.

O filme foi realizado na famosa região espanhola de Almería, e um dos destaques ficou por conta da música forte e envolvente de Carlo Rustichelli (creditado como Oliver Angel Pina), que foi um dos compositores mais requisitados da Itália, com cerca de 250 filmes no currículo. Para “Deus perdoa... eu não!”, a música de Rustichelli se encaixa perfeita, soando forte e poderosa no clima do filme, desde o princípio até o seu final.

A química dos protagonistas, em cena, era fantástica, e ao vê-los reunidos nesta primeira produção, já se poderia imaginar que voltariam a trabalhar juntos novamente. Isto porque eles formavam uma equipe com um magnetismo muito especial para as páginas históricas dos spaghetti westerns. “Deus perdoa... eu não!”, foi apenas o começo de tudo. A mão do diretor Giuseppe Colizzi e a cuidadosa produção, num estilo realmente sério, agradam em cheio até o mais exigente seguidor do gênero. Este é um spaghetti western de primeira e que vale a pena ser conferido.

 

Elenco: Terence Hill, Bud Spencer, Frank Wolff, Gina Rovere, José Manuel Martín, Luis Barboo, Joaquín Blanco, Tito Garcia, Frank Braña, Antonietta Fiorito, Francisco Sanz (como Paco Sanz), Franco Gulà, José Canalejas, Remo Capitani, Antonio Decembrino, Juan Olaguivel, Giovanna Lenzi, Roberto Alessandri, Bruno Arie, Giancarlo Bastianoni, Rufino Inglés, Arturo Fuento, José Terrón.

 

Música: Carlo Rustichelli (como Oliver Angel Pina)


Keoma - 1976

Posted by Henrique Sousa on May 10, 2012 at 10:30 PM
  • Título original: Keoma
  • Diretor: Enzo G. Castellari
  • Elenco: Franco Nero, Woody Strode, William Berger, Donald O'Brien, Olga Karlatos, Orso Maria Guerrini, Gabriella Giacobbe, Antonio Marsina, Gianni Loffredo (como John Loffredo), Leon Lenor, Joshua Sinclair, Leonardo Scavino, Wolfango Soldati, Massimo Vanni, Victoria Zinny, Alfio Caltabiano, Giovanni Cianfriglia (como Ken Wood), Domenico Cianfriglia, Roberto Dell'Acqua, Angelo Ragusa, Riccardo Pizzuti, Pierangelo Civera.
  • Música: Guido & Maurizio De Angelis

Keoma - O gênero Spaghetti Western já dava seus últimos suspiros quando presenciou o lançamento de um dos maiores e melhores filmes de todo o ciclo. Quando Keoma estreou nos cinemas, em 1976, já haviam se passado 8 anos de “Era Uma Vez no Oeste” (C'era una volta il West), e 10 anos de “Três Homens em Conflito” (The Good, The Bad and The Ugly). É absolutamente verdadeiro afirmar que, nessa ocasião, o Spaghetti Western não vivia exatamente o seu momento mais glorioso. Ao contrário, o gênero estava na UTI, em seu estado terminal. Dessa forma, para muitos, o lançamento deste ótimo filme surgiu como uma “salvação” ou, pelo menos, com uma grande responsabilidade em poder oferecer um “algo mais” ao sub-gênero, ao gênero e, acima de tudo, ao cinema. Sem dúvida, o filme de Enzo G. Castellari estava coberto de muitas razoáveis razões, embora a responsabilidade fosse grande demais sobre um único filme, visto como o derradeiro sopro de vida de todo um gênero, mesmo que todas as suas razões fossem todas muito poderosas.

A trama gira em torno da figura do cavaleiro solitário, de poucas palavras, rápido e mortal, que tão convincentemente havia sido encarnado por Clint Eastwood, na trilogia do “Homem Sem Nome”, de Sergio Leone. A diferença está no fato de Keoma ser mestiço, meio branco, meio índio, além de ser o herói que dá nome ao título do filme. Em vez de um sombreiro ou um poncho, o que ele usa é uma vestimenta indígena, de peito aberto, uma fita amarrada ao seu vasto cabelo, barba volumosa e olhos azuis. Todas essas características colocam Franco Nero perfeito para o papel. A verdadeira natureza do personagem pode ser observada no momento em que ele usa o recurso do silêncio para observar e disparar de modo rápido e mortal.

Como fato curioso, vale destacar que Franco Nero, neste mesmo ano, também estrearia outras cinco produções. Dez anos antes ele foi Django, no filme homônimo de Sergio Corbucci. Sob o comando de Castellari, ele suporta o peso da função com uma interpretação de poucas palavras e muita ação, submetendo ao personagem um elo entre místico e selvagem, além de carismático e evasivo ao mesmo tempo.

O filme narra a história de Keoma, um mestiço, meio branco, meio índio, adotado por William Shannon (William Berger), quando criança, logo após o massacre de toda a sua tribo. Como único sobrevivente, o garoto Keoma é adotado por Shannon, mesmo contra a vontade de seus outros três filhos legítimos, que hostilizam e maltratam o novo integrante da família durante toda a sua infância, por entenderem que tiveram roubado o carinho do pai.

O filme começa com o regresso de Keoma, já adulto, acompanhado de todas as lembranças da infância, passando como flashes, em sua mente. Ele encontra uma terra suja, degradada e assolada por uma peste, cujos doentes são mortos ou isolados fora da cidade. A região é dominada, com mãos de ferro, por Caldwell (Donald O'Brien) e seu bando, entre os quais se incluem os três “meio-irmãos” de Keoma, os mesmos que sempre o odiaram quando criança. A chegada de Keoma acaba sendo providencial para mudar o destino de uma mulher grávida que, como todos os outros infectados, está em trânsito para ser confinada em uma espécie de campo de concentração. A partir daí, tem início um jogo mortal onde a mulher, o empenho de Keoma em defendê-la de todo o perigo, ao mesmo tempo em que defende a todos, acaba sendo o ponto forte de uma trama que segue cheia de muita tensão, à base de duelos, perseguições e fugas inesperadas.

Com uma aparência sombria, quase profética, Keoma se encaixa perfeitamente na tradição do pistoleiro infalível, iniciado pelo tipo de herói também calado e mortal interpretado por Clint Eastwood. No caso de Keoma, uma diferença marcante está no fato de manejar, como ninguém, a machadinha, uma vez que possui sangue índio, e também por sua força e eficiência na luta corporal. O expectador tem a oportunidade de observar a exuberância das cenas de violência onde Castellari se delicia com a câmera lenta, mostrando uma influência muito mais próxima de Peckinpah do que de Leone, mesmo tendo tomado emprestado um punhado de close-ups com os quais não chega a incomodar.

A maestria do diretor também pode ser bastante elogiada, sob um ótimo pulso narrativo, que atinge sua expressão máxima, como em todo epílogo, com uma montagem paralela que chega a deixar um vazio na ação para multiplicar os ecos agonizantes dos gritos da parturiente.

O filme também possui um clima místico, que pode ser facilmente identificado já em seu início, por uma sequência sugestiva e bem encaixada, e que se repete em várias ocasiões, através do personagem da bruxa. Por outro lado, num clima mais sentimental, vemos flashes do passado de George (Woody Strode), numa época em que a vida era bem melhor.

É claro que em toda a obra, dois são os destaques notadamente relevantes: o primeiro é o vilão Caldwell, interpretado por Donald O’Brien que, com seu bando de ex-confederados, parece um pouco brando demais para um caçique de uma terra tão dura. O segundo é a trilha sonora, de Guido & Maurizio De Angelis, que merece todos os aplausos, especialmente por se encaixar de modo perfeito desde a abertura até os momentos de ausência de diálogos, aqui conduzida magistralmente nas vozes de  Susan Duncan Smith & Cesare De Natale.

Não é, no entanto, nem no aspecto formal, nem no roteiro ou argumento, que se deve buscar as virtudes de Keoma, que se apresenta montada sobre toda uma estrutura convencional, e sim, pelo fato de se apresentar sob a responsabilidade da poderosa presença de Franco Nero, diante das câmeras, e de Enzo G. Castellari por trás delas.

No Brasil, Keoma mereceu quase todos os cuidados necessários para um lançamento de um grande filme. A qualidade de imagem é ótima, a dublagem é boa, e o conteúdo de informações adicionais é para seguidor nenhum reclamar. O material oferece, inclusive, opções de formato de tela. O ponto negativo (o ponto fraco de sempre), fica por conta da capa do dvd, que poderia ser bem melhor. Nesse quesito as distribuidoras nacionais ainda se encontram totalmente fora de sintonia. Fora isso, todo o material é uma verdadeira pérola, digna da coleção de todo e qualquer fã do gênero.

Cipolla Colt - 1975

Posted by Henrique Sousa on April 15, 2012 at 8:30 AM

Cipolla Colt - 1975

Dirigido por Enzo G. Castellari


Começar a falar de “Cipolla Colt” foi um verdadeiro desafio. Por onde deveria começar? A sinopse acabou sendo o ponto de partida, até porque não há tanto assim para se discorrer sobre esta inusitada comédia estrelada por Franco Nero. A verdade é que um enorme campo petrolífero (enorme mesmo!) acabou sendo descoberto em uma pequena cidade do Texas, chamada Paradise City? O filme começa com um sobrevoo panorâmico sobre um enorme vale, onde o que mais se vê são torres de petróleo, até onde a vista pode alcançar. Impressionante! O fato, que poderia parecer de grande importância para o desenvolvimento da região, acabou mesmo foi despertando a ambição de uma poderosa Companhia, que agora, pretende se apoderar de todos as propriedades da vizinhança, custe o que custar.

Muitos defendem que este filme foi uma forte evidência da razão pela qual o gênero spaghetti western morreu tão cedo. Críticos destacam que o sucesso dos filmes de Trinity, que sem dúvida eram divertidas comédias em estilo western, tiveram uma grande parcela de responsabilidade para que, da noite para o dia, tudo fosse modificado no planeta spaghetti, só que para pior. Seguindo esta divertidíssima onda da comédia, eis que outros diretores decidiram se aventurar nessa empreitada, e um deles foi o renomado diretor Castellari. Longe de ser um western sério, como Keoma, por exemplo, o ilustre diretor enveredou pelo campo do sarcasmo, da ironia, ou qualquer outra denominação similar que você queira dar para esta cômica historia, onde um pistoleiro devorador de cebolas (e seu esperto cavalo) usa seu próprio alimento para liquidar todos os bandidos. Dando uma olhada no exótico personagem principal, você já pode imaginar o resto do filme. A trama exala surrealismo e humor igualmente sem graça, detalhe que o seguidor pode conferir através do trailer. Você pode chegar ao ponto de se perguntar porque atores da grandeza de Nero ou Anchóriz se submeteram a papéis tão recheados de ironia? Por outro lado, podemos supor que a interpretação de um artista, seja qual for, sempre irá depender conforme a definição do roteiro.

A maioria das pessoas certamente irá odiar este filme, simplesmente chamando-o de idiota. Tudo bem, talvez seja um filme estúpido. Porém, muitos poderão achá-lo extremamente divertido, por causa de sua natureza totalmente bizarra. E durante toda sua exibição, a todo momento, o filme continua a exibir situações malucas, cada uma diferente da outra, e a atenção do expectador sempre vai estar voltada para a trama, esperando, no momento seguinte, para ver um novo tipo de insanidade que o roteiro poderia tirar de suas mangas. Se você gosta das travessuras de Terence Hill e Bud Spencer, e está acostumado às inúmeras características não convencionais que os filmes italianos apresentam, você certamente irá precisar dar uma olhada neste filme. Com toda certeza, você vai gostar ou vai odiar, mas você nunca vai esquecer!

Você pode se deparar com muitas avaliações negativas do filme, porém, para mim, não se trata de um filme ruim. Eu digo que é um filme muito divertido. O próprio Franco Nero se divertiu muito neste trabalho. Diversos críticos são contra as comédias no gênero. Muitos até fazem questão de enfatizar. Entretanto, queiram ou não, as comédias com Terence Hill, George Hilton ou Anthony Steffen, e até mesmo este Cipolla Colt, fazem parte deste eterno legado e, a estas alturas, nada pode ser feito para mudar tal fato no lendário planeta spaghetti. Para os que admiram um western mais sério, fica o consolo em saber que, apesar de Castellari haver trilhado por este irônico caminho, ele também deixou sua marca em diversos outros ótimos filmes, e o que ocorreu neste seu trabalho das “cebolas” não passou de uma experiência inusitada em seu currículo, onde ele precisava pagar para ver.

No Brasil, o filme ficou conhecido como “ Confusão em Paraíso City”, mas, o filme foi lançado por aqui? Eu não tenho conhecimento. De qualquer modo, o acervo do site possui o arquivo avi com excelente qualidade de imagem.

 

 

Elenco: Franco Nero, Sterling Hayden, Martin Balsam, Romano Puppo, Emma Cohen, Dick Butkus, Leo Anchóriz, Helmut Brasch, Enzo G. Castellari, Dan van Husen, Duilio Cruciani, Nazzareno Zamperla, Manuel Zarzo, David Warbeck, Massiom Vanni, Charly Bravo, Fernando Castro, Wal Davis, Daniel Martin, Antonio Pica, George Rigaud, Alejandro de Encisco, Xan Das Bolas, Lucy Tiller, Leopold Francis, Vidal Molina, Juan Antonio Rubio

 

Música: Guido and Maurizio De Angelis


A morte anda a cavalo

Posted by Henrique Sousa on January 19, 2012 at 6:50 PM
  • Diretor: Giulio Petroni
  • Também conhecido como: D'homme a home (França) | La Mort était au rendez-vous (França) | A Morte Anda a Cavalo (Brasil) | Śmierć jeździ konno (Polônia) | Hämndens timme (Suécia) | Kosto odottaa (Finlândia) | Oi 5 simademenoi tou El Viento (Grécia) | Death Rides a Horse (U.S.A.) | Viva Django, Man to Man | Two Deadliest Guns Alive | Vita, morte e vendetta (Itália) | Die Rechnung wird mit Blei bezahlt (Alemanha) | Von Mann zu Mann (Alemanha) | A morte vem a cavalo (Portugal) | De hombre a hombre (Espanha) | Elenco: Lee Van Cleef, John Phillip Law, Luigi Pistilli, Anthony Dawson, Jose Torres, Carla Cassola, Archie Savage, Mario Brega, Giuseppe Castellano, Franco Balducci, Romano Puppo, Guglielmo Spoletini, Elena Hall, Natale Nazzareno, Jeff Cameron, Felicita Fanny, Ignazio Leone, Nerina Montagnani, Carlo Pisacane, Nino Vingelli, Bruno Corazzari, Angelo Susani, Walter Giulangeli, Remo Capitani, Mario Mandalari, Ennio Pagliani, José Terron, Giovanni Petrucci, Claudio Ruffini, Vivienne Bocca, Giovani Scarciofolo, Richard Watson
  • História: Luciano Vincenzoni
  • Roteiro: Luciano Vincenzoni
  • Fotografia: Carlo Carlini [Technicolor, Techniscope 2,35:1]
  • Música: Ennio Morricone
  • Canção: "Death Rides a Horse" cantada por Raoul
  • Produção: Alfonso Sansone, Henryk Chorscicki

Da uomo a uomo - Após o roubo de 200.000 dólares (em ouro) de uma diligência, quatro membros desta perigosa quadrilha de assaltantes procuram abrigo em uma fazenda durante uma noite de tempestade. Na tentativa de defender sua familia (mulher e filhos), o fazendeiro é baleado. Ato contínuo, os bandidos violentam mãe e filha, e escapam após atearem fogo na casa. O filho mais novo da familia, que havia ficado escondido na casa, acaba sendo salvo das chamas a tempo por um quinto bandido. Após isso, o forte choque produzido no garoto, de apenas cinco anos, ao presenciar a morte de toda a sua familia, fará com que ele carregue, por toda a sua vida, a férrea determinação de acabar com todos os bandidos responsáveis pela morte de seus país e sua irmã.

Com esta introdução, ocorrida 15 anos antes, o director Giulio Petroni exibe, logo de cara, uma das subtramas que o expectador irá observar no filme: a vingança, que o joven Bill vai perseguir até encontrar os assassinos de seus país e irmã. E isso vai ocorrer ao mesmo tempo em que outra vingança estará em andamento, perseguida pelo experiente Ryan, pela traição de seus companheiros de armas, também 15 anos atrás..

Uma vez mais um diretor aborda um dos temas mais utilizados nos spaghetti westerns dos anos sessenta e setenta: a vingança, como fator central e que move os personagens protagonistas, incluindo suas consequências na vida e em suas próprias ações. É bom que se diga que o tema já havia sido abordado pelo grande Sergio Leone, anos antes, quando estabeleceu como ideal para apimentar os enredos dos spaghetti western. Na abordagem de Leone estão Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in piú, 1965) e Era uma vez no Oeste (C´era una volta il west, 1968 ). que foi considerado o ponto de partida, e que influenciou, em filmes posteriores, muitos diretores que se dedicaram ao estilo, e isso, em até mais de um sentido. Em A Morte Anda a Cavalo, a direção de Giulio Petroni é bastante segura. O diretor mantém com bom pulso as cenas de ação e consegue marcar um bom rítmo durante toda a narrativa, conseguindo manter a atenção do espectador durante todo o tempo. Com relação à parte técnica, ela se desenvolve de modo perfeito,, onde o uso do formato panorâmico é utilizado da forma mais ampla possível.

No que diz respeito aos dois personagens protagonistas, algo de grande importância lhes foi tirado, como a vida de sua família, no caso do jovem Bill, e 15 anos de sua vida na prisão, no caso do pistoleiro Ryan, e isso representa a razão pela qual ambos estarão determinados a fazer justiça com as próprias mãos. O jovem Bill age impulsivamente em sua forma de saciar seu desejo de vingança, algo doloroso em sua alma que, em razão de sua inexperiência, o leva à beira da morte. Por outro lado, Ryan, muito mais experiente, atua de uma forma mais paciente e calculada. A novidade e originalidade na hora de abordar o tema da vingança pessoal como uma forma de justiça, nada poética, é que as duas histórias paralelas e independentes dos dois personagens convergirão, causando influência direta em um e em outro, e mudando, desta forma, suas vidas que, ao final de suas buscas já não serão mais as mesmas. Em razão disso, se separarão para sempre, de forma irremediável. No que diz respeito à estrutura do filme, podemos, por assim dizer, que ela é circular. A trama começa com a aparição, em separado, dos dois personagens; o encontro surgirá em seguida, o que levará a uma etapa intermediária, mais ampla e completa, que ocupa praticamente toda a duração do filme, momento no qual se desenrolam as duas histórias de vingança, unidas indefectivelmente mediante a relação que se estabelece entre ambos os personagens (o ensinamento que recebe Bill por parte de um astuto Ryan). Ao final da história se encerrará o referido círculo, com a cena na qual Bill e Ryan se defrontarão em um último e amargo encontro.

A alta qualidade da trama descansa, então, sobre um roteiro exemplar, sem tempos perdidos (escrito por Luziano Vincenzoni), que nesse caso, não ocorre de forma medíocre como outros roteiros tão fundamentais e básicos da safra spaghetti western, como os de Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in piú;), Três Homens em conflito (Il buono, il brutto, il cattivo), Os violentos vão para o inferno (Il mercenario) ou Quando explode a vingança (Giù la testa). O começo do filme é exemplar e vai direto ao ponto; traz um detalhado prólogo explicativo que será determinante para todas as ações posteriores, resultando em uma elipse a partir da qual, assistimos aos treinamentos, no manejo das armas, do jovem Bill. Diante disso pode-se notar toda a expressão da determinação do personagem. Imediatamente a seguir, o expectador assiste a liberação de Ryan de uma penitenciária na qual cumpriu pena por 15 anos. Bem neste ponto, o expectador atento também irá notar que o personagem de Ryan possue a mesma determinação, tal como se expressa na cena onde ele recebe seus pertences, na sala do diretor da prisão: “Ryan: Minha arma… obrigado. Agora as balas. Director: As balas? Ryan: 27… há 15 anos você as deixou em uma gaveta inferior. Director: 27… você tem uma boa memória. Ryan: Bem, às vezes não é tão difícil. Ainda tenho 6 em minha arma, e 21 em meu cinturão. Se não tivesse me cruzado 2 vezes, a conta seria um pouco diferente”. Os dois personagens se encontram pela primeira vez na cena seguinte, quando Bill se depara com Ryan observando as tumbas de seus pais: “Bill: O que posso fazer por você?. Ryan: Faz tempo que não venho por aqui. Tudo mudou. Seus pais?. Bill: Sim, a minha familia inteira. Ryan: Sinto muito, eu ouvi falar disso.”. Essa estrutura circular do filme, referida anteriormente, rica em detalhes e diálogos inesquecíveis (é bom que se diga que, muitos dos quais foram fornecidos pelos próprios atores protagonistas), também teve alguma ou outra cena temperada com uma boa pitada de humor, necessária para aliviar a tensão da própria trama. A este respeito são memoráveis as cenas da plataforma de trem, entre Bill e o chefe da estação, bem como uma das melhores do filme, aquela em que Ryan vai resgatar o joven Bill, que está enterrado até o pescoço, com a boca cheia de sal e uma tigela de água ao lado, sob um sol escaldante.

Uma outra vertente tratada é a relação que se estabelece entre Ryan e Bill, e que vai evoluindo ao longo da história, deixando um resíduo de amargura ao final da mesma. Uma relação extraída do modelo estabelecido por Sergio Leone em alguns de seus filmes, especialmente em Por um punhado de dólares (Per un pugno di dollari, 1964) e Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in piú, 1965), e em menor escala em Era uma vez no Oeste (C´era una volta il west, 1968 ), e que repercutiu em alguns filmes posteriores, sendo El halcón y la presa (La resa dei conti, 1966), este A morte anda a cavalo (Da uomo a uomo, 1967) e O dia da ira (I giorni dell´ira, 1967) os mais representativos e com as mais altas notas de qualidade. Este modelo de relação paternal que se estabelece entre homens de distintas gerações, com um objetivo comum e métodos tão díspares, utilizados com o fim de obter sucesso em uma missão, alcança neste filme, de Giulio Petroni, um peculiar sentido paternal, quando vemos Ryan considerar Bill como a um filho (cena reveladora nesse sentido se nota quando Ryan confessa a Bill: “Estava pensando que quisera ter um filho como você, porque qualquer día me meterão uma bala nas costas, e claro, ninguém poderá vingar-me”;).

O personagem de Lee Van Cleef no filme de Giulio Petroni é muito parecido ao que realizaria posteriormente em O dia da ira (I giorni dell´ira, 1967) (um pistoleiro que instrui e educa um jovem pistoleiro para que se vingue das pessoas que lhe humilharam durante anos, interpretado por Giuliano Gemma). Porém, há diferenças entre este Ryan e o malvado e astuto Frank Talby. Em A Morte anda a cavalo o personagem de Lee Van Cleef é mais ameno em sua personalidade, algumas vezes parecendo um pistoleiro sem escrúpulos, e em outras, deixando aflorar uma humanidade que estava latente embaixo da dura e fria coberta.

No aspecto atuação há de se destacar, acima de tudo, a presença de Lee Van Cleef, um ator secundário em Hollywood, que foi redescoberto por Sergio Leone quando já estava em decadência, e que lhe rendeu uma segunda oportunidade, muito bem aproveitada pelo ator de nariz adunco e olhos de serpente, requisitado desde então para papéis de malvado. Lee Van Cleef (em seu melhor momento artístico) vínha de rodar Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in piú, 1965), Três homens em conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966) de Sergio Leone, e El halcón y la presa (La resa dei conti, 1966) de Sergio Sollima, quando começa a rodar, no final de 1966, A morte anda a cavalo (Da uomo a uomo, 1967) em Roma. A partir de janeiro de 1967 as filmagens mudam para Almería. O trabalho que realiza seu “parceiro”, John Philip Law, é louvável, apesar de algumas deficiências próprias de sua curta carreira cinematográfica (antes deste filme, só havia trabalhado em meia-dúzia de papéis de pouca importância). Sem dúvida ele aprendeu muito neste trabalho com Lee Van Cleef, conforme revela em uma entrevista quando lhe foi perguntado como foi sua colaboração com Cleef: “Lembro de uma vez que bebíamos juntos. Lee olhou para mim com seu olhar de aço e disse: 'John, você é como uma criança grande. Deixe-me mostrar-lhe como beber em um copo. Em primeiro lugar, você o pega lentamente. Você o olha lentamente. E o bebe muito, muito lentamente”. Perguntei-lhe onde havia aprendido, e me respondeu que havia aprendido com John Wayne. O estilo de John Wayne é muito simples: fala lentamente, caminha lentamente e não estraga o cenário! (risos). Me encantavam os personagens interpretados por Lee, duros como o couro. Seu jogo corporal em seus filmes me havía marcado intensamente. Tudo passava pelo olhar, o gesto ou a atitude… Nós nos damos muito bem, e trabalhamos fortemente para abreviar e melhorar nossos diálogos. Também foi nossa a idéia do título “Da uomo a uomo”. A princípio o filme se intitulava “Duelo en el viento”… Lee rodava bem pouco de seus personagens, na verdade. Quero dizer que como ainda carregava as lesões de seu acidente, boa parte do papel era interpretado pelo dublê de ação, que era Romano Puppo. Lee aparecia apenas para os primeiros planos, ou quase… Depois deste filme conservamos uma boa amizade. Inclusive participamos juntos em um spot para a promoção do turismo no Canadá!. Seu realizador era um fã de “De hombre a hombre” e fez todo o possível para nos reunirmos de novo”.

Para complementar o elenco, aos dois protagonistas foram somados, por conseguinte, uma série de atores secundários, muito versáteis, que se complementavam adequadamente. Muitos deles já haviam trabalhado previamente nos filmes de Sergio Leone, o que representava um vínculo a mais com o universo do diretor de Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in più;). Giulio Petroni era um apaixonado pelo western e, neste trabalho, essa experiência pode assim ser resumida nas palavras de John Philip Law: “Se tratava de seu primeiro western e ele estava muito nervoso. Até então, aparentemente, somente havia feito comédias dramáticas, como “Un domingo de verano” com Jean Pierre Aumont e Ugo Tognazzi. Giulio Petroni estava muito influenciado pelos westerns de Sergio Leone, com Clint Eastwood, e cada vez que me chamava no set, gritava “Clint!”, por engano. E eu lhe dizia “Sem problemas, Sergio!” (risos).

Mas ainda haviam outros elementos que vinculavam o filme de Giulio Petroni com Sergio Leone. Por exemplo, a trilha sonora, obra de um dos músicos mais talentosos da história do cinema. Isso sem falar que também era um dos mais prolíficos e ecléticos. A música de Ennio Morricone estava em pleno processo de experiência tanto a nivel de composição como a nivel de instrumentação, algo que já se notava nos filmes de Sergio Leone e que seguiria evoluindo em seus trabalhos posteriores. Neste filme a música atua como um personagem, mas sem ser visto, ao mesmo tempo em que se adequa perfeitamente ao ritmo e à estrutura do filme.

Escasso em sua filmografía (apenas 13 filmes), Giulio Petroni começou no mundo do cinema realizando alguns documentários e trabalhando como ajudante de direção. Em 1959 realizou seu primeiro longa-metragem, uma comédia dramática, seguida de outras três comédias. Depois de alguns anos trabalhando para a RAI, retorna ao cinema com o primeiro de seus cinco westerns (um género que lhe marcou muito), A morte anda a cavalo (Da uomo a uomo, 1967) (um de seus melhores filmes), seguido de Quem dispara primeiro? (… e per tetto un cielo di stelle, 1968 ) (seu pior western), Tepepa (Tepepa, 1968 ), no qual se nota sua origem política (pertencía ao partido comunista desde a Segunda Guerra Mundial), A noite das serpentes (La notte dei serpenti, 1970) e Meu Nome é Providence - Caçador de Recompensas (La vita, a volte, é molto dura, vero Provvidenza?, 1972) (um western realizado na decadência do género e imitando a fórmula dos filmes de Trinity). Depois de mais duas comedias satíricas, realizaría seu penúltimo filme, Labios lúbricos (Labbra di lurido blu, 1975), um filme de culto escrito, montado e produzido pelo mesmo diretor e que retrata a crise da burguesía italiana. Seu último filme foi Poseída (La profezia, 1978 ), uma imitação de O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby, 1968 ) e de O exorcista (The exorcist, 1973), realizada com muito pouco orçamento, mesmo com a sempre grata presença de Marisa Mell, embora o diretor italiano negue a paternidade do filme. Nessa época ja não se dedicava ao cinema, e sim ao que mais gostava : o mundo da literatura.

É bom destacar, como curiosidade, que o grande Quentin Tarantino rendeu honrosas homenagens ao trabalho de Giulio Petroni em seu filme mais multirreferencial realizado até o momento: Kill Bill. Precisamente o nome de Bill que aparece no título original, já faz referência ao personagem interpretado por John Philip Law, no filme de Giulio Petroni, porém, não será esta a única referência utilizada por Tarantino. Em uma das primeiras cenas de Kill Bill vol. 1 (Kill Bill vol. 1, 2003) na qual “a noiva”, numa luta de morte, enfrenta uma das “víboras letais”, Quentin Tarantino usa uma técnica de montagem muito similar à que empregava Giulio Petroni quando o jovem e vingativo Bill se encontrava cara a cara com os assassinos de sua família, e que consistia em uma superposição de imagens do momento do assassinato da família de Bill com a cara do protagonista. Desta forma o diretor italiano quería fazer constância do trauma que motivava Bill a vingar-se da ação violenta e brutal cometida pelos bandidos. Em outra das subtramas de Kill Bill vol. 1 (Kill Bill vol. 1, 2003) (realizada com técnicas de animação bem ao estilo mangá;) se narra a origem do personagem O-Ren Ishii, uma das “víboras letais” (encarnada na tela por Lucy Liu), em uma cena similar à do assassinato da família de Bill. Também, na cena da “Casa das folhas azuis”, Quentin Tarantino utiliza o tema principal da trilha sonora do filme de Giulio Petroni, intitulada “Death rides a horse” (e que corresponde ao título de lançamento do filme nos EUA).

No Brasil, o filme de Giulio Petroni, distribuído pela Ocean Pictures, foi lançado com o título A morte anda a cavalo, cuja edição é digna de todos os elogios. A começar pelo formato de tela: widescreen. Aliás, essa questão do formato de tela inadequado (tela cheia), tem sido um problema constante em muitos lançamentos de filmes da safra spaghetti, em território brasileiro. Felizmente, este erro imperdoável não ocorreu com este ótimo filme. Os admiradores do gênero podem ficar tranquilos, pois, a cópia brasileira apresenta excelente qualidade de imagem, com idiomas em inglês e português, e legendas em português. .

Um Homem e Um Colt

Posted by Henrique Sousa on December 21, 2011 at 7:00 PM
  • Diretor: Tulio Demicheli
  • Também conhecido como: Dakota Joe un hombre y un Colt (Espanha) | Un homme… un colt (França) | Enas anthropos, ena pistoli (Grécia) | Bir Adam bir Tabanca (Turquia) | A Man and His Colt | Un uomo e una colt (Itália) | Der Colt aus Gringos Hand (Alemanha) | Dakota Joe (U. S. A.) | Man and a Colt (U.S.A.)
  • Elenco: Robert Hundar [como Carlo Undari], Fernando Sancho, Mirko Ellis, Gloria Milland [como Maria Fiè], Marta Reves, Jacinto Martín, Francisco Morán, Félix Dafauce, Antonio Mayans, José Canalejas, Rafael Hernández, Luis Gaspar, Raf Baldassarre, Vittoria Di Silverio, Ana Carvajal, Emilio S. Espinosa, Giovanni Petrucci, Jesús Guzmán, Simón Arriaga, Josefina Serratosa, Ramón Serrano
  • História: Nino Stresa
  • Roteiro: Nino Stresa, Tulio Demicheli, Vicente Maldonado
  • Fotografía: Emilio Foriscot, Oberdan Troiani [Technicolor, Techniscope 2,35:1]
  • Música: Angel Oliver (como Oliver Piña Angel), Coriolano Gori
  • Produção: Ricardo Bonilla, Aldo Salerno, Tulio Demicheli

Un Hombre y Un Colt - Spaghett western de 1967, do diretor Tulio Demicheli. Dakota Joe (Robert Hundar), um pistoleiro de aluguel, é contratado pelo fazendeiro mexicano Don Carlos (Jacinto Martín), para eliminar um médico de um povoado da região. Sendo um pistoleiro com princípios, antes de executar o trabalho, Dakota comprova que o alvo a ser eliminado, na verdade, é um homem bom. Então, com a ajuda de Pedro (Fernando Sancho), um antigo bandido mexicano, decide tentar tirar proveito da fortuna de Don Carlos.

“Un Hombre y Un Colt” é o segundo trabalho, no ciclo spaghetti, do diretor argentino, estabelecido na Espanha, Tulio Demicheli, após “Desafío en Río Bravo” (Sfida a Rio Bravo), de 1965, e, provavelmente, um de seus projetos mais ambiciosos, o qual contou com um ótimo elenco encabeçado por Carlo Undari (como Robert Hundar), em um de seus raros papéis como protagonista principal e herói da trama. Outros nomes de destaques são Fernando Sancho, incorporando seu habitual papel de bandido mexicano, aqui, afável e traiçoeiro, e a italiana Maria Fiè (como Gloria Milland). Um fato curioso, e que merece registro, é que estes três atores também atuaram juntos em dois outros spaghetti westerns, do diretor Joaquín Romero Marchent: El sabor de la venganza, de 1963, e Antes llega la muerte, de 1964.

Assim como a maioria dos eurowesterns, “Un Hombre y Un Colt” também teve coprodução hispano-italiana, sendo que, pelo lado italiano, a responsabilidade ficou por conta da Produzioni Europee Associati (P. E. A.), de Alberto Grimaldi, enquanto que a parte espanhola, sob a responsabilidade de Tulio Demicheli P. C., empresa que, como o própio nome indica, era de propriedade do realizador do filme. O seguidor do gênero mais atento vai observar que estas mesmas produções já haviam sido parceiras um ano antes em um dos mais destacados spaghetti westerns, de todo o ciclo, o maravilhoso “El halcón y la presa” ( La resa dei Conti), de Sergio Sollima, produzido em 1966, trabalho que, sem dúvida, influenciou Demicheli e Cia., no momento de realizar “Un Hombre y Un Colt”. Isto está bem evidenciado ao se notar certa vontade de adotar a perspectiva do filme de Sollima, embora com resultados muito mais modestos.

Diante disso, não será difícil o expectador encontrar semelhanças entre o filme protagonizado por Lee Van Cleef e Tomas Milian, e o argumento do filme de Tulio Demicheli, onde se narra a transformação que um homem sofre a partir de um fato que mudará sua perspectiva das coisas. Neste caso, um assassino de aluguel chamado Dakota Joe, contratado por um cacique mexicano para matar um médico local, que, segundo ele, está contagiando seus camponeses, divulgando entre eles as idéias promulgadas por Emiliano Zapata. Porém, uma vez ali, e à vista dos abusos cometidos por uns, e maravilhado pela firme vontade de outros, Dakota não demora em tomar uma atitude, em oposição consigo mesmo, uma vez que seu ofício principal se resume em matar outras pessoas para garantir seu sustento. Como conseqüência, e sem motivos ou razões, ele tomará partido das idéias revolucionárias daquelas pobres pessoas, posicionando-se ao lado delas.

Neste contexto, não se pode esquecer um outro personagem igualmente importante, Pedro, um antigo bandido mexicano reconvertido em camponês, que, à primeira vista, parece seguir o mesmo destino redimido de Dakota. A parceria entre os dois resultará, inclusive, em tentativa de roubar o dinheiro do fazendeiro Don Carlos com a desculpa de usá-lo para apoiar a causa revolucionária. O que se vê, entretanto, é o mesmo de sempre: a velha tentativa de utilizar o dinheiro roubado em benefício próprio.

Contudo, esta suculenta base, que nas mãos de Sollima ou outro diretor mais talentoso, poderia haver resultado em um título referência do gênero, nas mãos do novato Demicheli não deu mais do que um adequado, embora falido, título. Tudo isso, em parte, pelas próprias limitações do argentino, depois, por certa falta de definição deste na hora de desenvolver uma narração que se estende entre a história de redenção de Dakota e, portanto, o ambiente social em que este se move, fato que acusa certa falta de desenvolvimento e profundidade, e a típica historia de vingança, tão comum ao gênero, resultando finalmente em equilíbrio desta derradeira parte, embora posta em cena com a solvência técnica característica que sempre fez galante seu diretor, proporcionando, inclusive, alguns bons momentos como, por exemplo, a cena do fuzilamento do agricultor. São méritos escassos, de qualquer forma, dadas as enormes possibilidades e potencialidades que apontavam o filme.

De todo modo, “Un Hombre y Un Colt” é um filme que agrada ao seguidor do gênero. Não apenas por se tratar de um ótimo exemplar do ciclo, mas, por sua típica trama característica do velho e violento Oeste americano. Além disso, a história é narrada naquele velho ambiente fronteiriço, envolvendo mexicanos e gringos, receita tantas vezes repetida e de reconhecido êxito. No resumo de tudo, é um spaghetti western dos bons e, para sempre, estará em lugar de destaque na coleção de todo colecionador.

A Lei do dio e da Vingana - 1968

Posted by Henrique Sousa on November 6, 2011 at 4:45 AM

Odia il Prossimo Tuo - 1968

Dirigido por Ferdinando Baldi)


Spaghett western de 1967, do diretor Tulio Demicheli. Dakota Joe (Robert Hundar), um pistoleiro de aluguel, é contratado pelo fazendeiro mexicano Don Carlos (Jacinto Martín), para eliminar um médico de um povoado da região. Sendo um pistoleiro com princípios, antes de executar o trabalho, Dakota comprova que o alvo a ser eliminado, na verdade, é um homem bom. Então, com a ajuda de Pedro (Fernando Sancho), um antigo bandido mexicano, decide tentar tirar proveito da fortuna de Don Carlos.

“Un Hombre y Un Colt” é o segundo trabalho, no ciclo spaghetti, do diretor argentino, estabelecido na Espanha, Tulio Demicheli, após “Desafío en Río Bravo” (Sfida a Rio Bravo), de 1965, e, provavelmente, um de seus projetos mais ambiciosos, o qual contou com um ótimo elenco encabeçado por Carlo Undari (como Robert Hundar), em um de seus raros papéis como protagonista principal e herói da trama. Outros nomes de destaques são Fernando Sancho, incorporando seu habitual papel de bandido mexicano, aqui, afável e traiçoeiro, e a italiana Maria Fiè (como Gloria Milland). Um fato curioso, e que merece registro, é que estes três atores também atuaram juntos em dois outros spaghetti westerns, do diretor Joaquín Romero Marchent: El sabor de la venganza, de 1963, e Antes llega la muerte, de 1964.

Assim como a maioria dos eurowesterns, “Un Hombre y Un Colt” também teve coprodução hispano-italiana, sendo que, pelo lado italiano, a responsabilidade ficou por conta da Produzioni Europee Associati (P. E. A.), de Alberto Grimaldi, enquanto que a parte espanhola, sob a responsabilidade de Tulio Demicheli P. C., empresa que, como o própio nome indica, era de propriedade do realizador do filme. O seguidor do gênero mais atento vai observar que estas mesmas produções já haviam sido parceiras um ano antes em um dos mais destacados spaghetti westerns, de todo o ciclo, o maravilhoso “El halcón y la presa” ( La resa dei Conti), de Sergio Sollima, produzido em 1966, trabalho que, sem dúvida, influenciou Demicheli e Cia., no momento de realizar “Un Hombre y Un Colt”. Isto está bem evidenciado ao se notar certa vontade de adotar a perspectiva do filme de Sollima, embora com resultados muito mais modestos.

Diante disso, não será difícil o expectador encontrar semelhanças entre o filme protagonizado por Lee Van Cleef e Tomas Milian, e o argumento do filme de Tulio Demicheli, onde se narra a transformação que um homem sofre a partir de um fato que mudará sua perspectiva das coisas. Neste caso, um assassino de aluguel chamado Dakota Joe, contratado por um cacique mexicano para matar um médico local, que, segundo ele, está contagiando seus camponeses, divulgando entre eles as idéias promulgadas por Emiliano Zapata. Porém, uma vez ali, e à vista dos abusos cometidos por uns, e maravilhado pela firme vontade de outros, Dakota não demora em tomar uma atitude, em oposição consigo mesmo, uma vez que seu ofício principal se resume em matar outras pessoas para garantir seu sustento. Como conseqüência, e sem motivos ou razões, ele tomará partido das idéias revolucionárias daquelas pobres pessoas, posicionando-se ao lado delas.

Neste contexto, não se pode esquecer um outro personagem igualmente importante, Pedro, um antigo bandido mexicano reconvertido em camponês, que, à primeira vista, parece seguir o mesmo destino redimido de Dakota. A parceria entre os dois resultará, inclusive, em tentativa de roubar o dinheiro do fazendeiro Don Carlos com a desculpa de usá-lo para apoiar a causa revolucionária. O que se vê, entretanto, é o mesmo de sempre: a velha tentativa de utilizar o dinheiro roubado em benefício próprio.

Contudo, esta suculenta base, que nas mãos de Sollima ou outro diretor mais talentoso, poderia haver resultado em um título referência do gênero, nas mãos do novato Demicheli não deu mais do que um adequado, embora falido, título. Tudo isso, em parte, pelas próprias limitações do argentino, depois, por certa falta de definição deste na hora de desenvolver uma narração que se estende entre a história de redenção de Dakota e, portanto, o ambiente social em que este se move, fato que acusa certa falta de desenvolvimento e profundidade, e a típica historia de vingança, tão comum ao gênero, resultando finalmente em equilíbrio desta derradeira parte, embora posta em cena com a solvência técnica característica que sempre fez galante seu diretor, proporcionando, inclusive, alguns bons momentos como, por exemplo, a cena do fuzilamento do agricultor. São méritos escassos, de qualquer forma, dadas as enormes possibilidades e potencialidades que apontavam o filme.

De todo modo, “Un Hombre y Un Colt” é um filme que agrada ao seguidor do gênero. Não apenas por se tratar de um ótimo exemplar do ciclo, mas, por sua típica trama característica do velho e violento Oeste americano. Além disso, a história é narrada naquele velho ambiente fronteiriço, envolvendo mexicanos e gringos, receita tantas vezes repetida e de reconhecido êxito. No resumo de tudo, é um spaghetti western dos bons e, para sempre, estará em lugar de destaque na coleção de todo colecionador.  

 

 

Elenco: Spiros Focás (como Clyde Garner), George Eastman,Horst Frank, Nicoletta Machiavelli, Roberto Risso (como Robert Rice), IvyHolzer, Paolo Magalotti, Franco Fantasia, Claudio Castellani, Giovanni IvanScratuglia.

 

Música: Robby Poitevin


O Matador de Elite

Posted by Spaghetti Westerns on October 28, 2011 at 8:00 PM
  • Diretor: Giorgio Stegani (como George Finley)
  • Também conhecido como: Django - die Totenliste im Gepack (Alemanha) | Shamango (Alemanha) | Caballero vengador (Espanha) | Gefsi apo ekdikisi (Grécia) | Ehi Gentleman Joe... prega il morto e... spara al vivo (Itália) | Gentleman Jo (Espanha) | Gentleman Killer (França) | Gentleman Joe - Der Rächer bin ich (Alemanha).
  • Elenco: Anthony Steffen, Eduardo Fajardo, Silvia Solar, Vidal Molina,  Anna Orso, Benito Stefanelli, Antonio Iranzo, Tomás Torres, Luis Barboo,  Joaquin Blanco, Gaspar González, Juan Torres, Angel Lombardi, Frank Oliveras, Valentino Macchi, Raúl Aparici, Carlos Frigola, Alberto Gadea, José Jalufi (como José Halufi), Isidro Martín
  • história: Jaime Jesús Balcazar (como J.J. Blacazar)
  • Roteiro: Jaime Jesus Balcazar (como J.J. Balcazar), Melchiade Coletti
  • Fotografia: Francisco Marín [Eastmancolor, CinemaScope 2,35:1]
  • Música: Bruno Nicolai, conduzida por Ennio Morricone
  • Canção: "Gold and Power" cantada por 'I Cantori Moderni'
  • Produção: Alvaro Mancori

Gentleman Killer - Algumas vezes tenho criticado o tratamento dispensado aos spaghetti westerns pelas empresas de distribuição e autoração de dvds, no Brasil. É duro ver como os grandes filmes do gênero são tratados, de forma totalmente irresponsável, e colocados no mercado, como se tudo estivesse perfeitamente normal. Um conhecedor da matéria pode observar que, do razoável acervo de euro-westerns lançados no mercado nacional, muitas são as cópias de excelente qualidade, porém, um número considerável de lançamentos são de péssima qualidade.

As deficiências podem ser observadas aos montes. Entre elas, formatos de tela inadequados, dublagens de péssima qualidade, além de verdadeiras "mutilações” (ou cortes) realizadas nos filmes mais importantes. Para se ter uma idéia do absurdo, no filme “Django Vem Para Matar” (Django Kill), a biografia de Tomas Milian apresentada é de Bruce Lee, astro do Kung Fu. No que diz respeito aos cortes, são dois, os casos clássicos ocorridos em spaghetti westerns lançados no Brasil (pelo menos até onde eu sei). O primeiro deles pode ser observado em “Trinity Ainda é o Meu Nome”. A cena cortada é extensa, no início do filme, quando Bambino, sem cavalo, em pleno deserto, rouba os cavalos de alguns bandidos (a cena cortada pode ser vista na íntegra, na seção de vídeos do site). O outro caso grave de corte, ocorre em “Gentleman Killer”, já na parte final do filme, quando Gentleman Jo cai nas mãos dos bandidos e está prestes a ser fuzilado pelos homens do coronel Ferreras. A cena cortada tem quase 5 minutos e também pode ser conferida, na íntegra, na seção de vídeos do site.  

Enfim, falar sobre essas “operações” nos spaghetti westerns lançados no Brasil, pode render muitas linhas, e, em outra ocasião, o assunto poderá ser abordado com muito mais profundidade. Iniciamos este post para falar de “Gentleman Killer”, e, a partir daqui, é o que farei.

Acima de tudo, "Gentleman Killer" é uma excelente produção. Nela se nota uma magnificência muito em sintonia com os amplos espaços e outras particularidades que exige o estilo western. Ninguém diria, vendo tantos ambientes melhorados e paisagens exuberantes, que o filme tenha sido realizado quase que totalmente nos Estudios de Esplugas City e locais próximos. Pode-se dizer que a fotogenia referente ao meio físico é uma questão de encontrá-la, selecionando-a com muito cuidado. No que diz respeito ao elenco, ao contrário, é uma questão de dom natural: ou se tem, ou não se tem. No caso de "Gentleman Killer", o elenco é inefável.

O roteiro do filme ficou sob a responsabilidade de Jaime Jesús Balcázar, na ocasião, um dos mais jovens membros deste  popular gênero cinematográfico. Na época(1967), o gênero já contava com um bom número de  realizadores, roteiristas, diretores executivos e, sobretudo, produtores. Graças a este importante “clan familiar”, assim como ao esforço meritório de Ignácio F. Iquino, o gênero cinematográfíco continuava vivendo (e sendo produzido) em Barcelona.

Em “Gentleman Killer”, Jaime Jesús Balcázar seguiu as regras do cine western, em seu estilo hispano-italiano. Ele exalta até o limite a crueldade gratuita e brutal dos homens “maus”, e engrandece, de modo brilhante, a nobreza do  homem “bom”, generoso e elegante, como um verdadeiro “cavalheiro”. Isso tudo porque se supõe que nos faroestes italianos do século também haviam homens dignos de figurar na Ordem da Távola Redonda,  ou de combater ao lado de Amadis de Gaula, brilhante herói da Cavalaria Andante.

Esta constante exaltação da violência, onde não se demonstra nenhum dos refinamentos de tratamento, muitos consideravam o mais reprovável dos recursos  de que se valia o “faroeste italiano”, em sua época áurea. Porém, todo o êxito popular do gênero surgiu precisamente disto, e, por isso mesmo, não se poderia esperar que se produzisse, em “GentlemanKiller”, um filme moderado ou retificado.

A trama de “Gentleman Killer” narra o drama de uma cidade da fronteira, cuja nacionalidade definitiva está sendo discutida entre EstadosUnidos e México. Enquanto esta decisão não é divulgada, a população local vive praticamente sob o jugo implacável de uma quadrilha de bandidos mexicanos, que, sob o pretexto de um falso patriotismo, praticam saques e crimes por toda a região. Em meio a tudo isso, surge, na cidade, Joe Reese (Anthony Steffen), um pistoleiro almofadinha, porém, um ás do gatilho e um jogador de poker formidável, para atrapalhar os planos do coronel Fernando Ferreras (Eduardo Fajardo), o líder dos bandidos mexicanos. Finalmente, depois de uma hora e meia de  tiroteios e pólvora incessante, tudo acaba bem, mesmo sob uma ética rigorosa, mas mediante um desfecho curiosamente inesperado.

A trilha sonora, bastante expressiva, de responsabilidade de Bruno Nicolai, com a supervisão creditada a Morricone, contribui de maneira eloqüente e espetacular para a atmosfera deste excelente spaghetti western. Este filme foi muito bem produzido por Alfonso Balcazar,e foi originalmente escrito por seu irmão Juan José Balcazar. Profissionalmente, o filme foi dirigido por  Giorgio Stegani (George Finley), embora sem originalidade. Ele é um escritor perito em westerns como “Blood of a Silver Dollar” e “Beyond the Law”, e, ocasionalmente, dirigiu filmes de expressão, como “Adios Gringo”, “Beyondthe Law”, além deste, “Gentleman Killer”.

Na lista de intérpretes, destacam-se especialmente Anthony Steffen, como protagonista; a atraente Silvia Solar, no papel de uma dona de saloon; a italiana Anna Orso; o brilhante Eduardo Fajardo, que está muito convincente como coronel Ferreras, e Antonio Iranzo, entre outros.

 

Tepepa

Posted by Spaghetti Westerns on October 16, 2011 at 12:55 AM
  • Director: Giulio Petroni
  • Também conhecido como: Viva la revolucion (Espanha) | Viva Tepepa! (Polônia) | Tepepa, la rebelle tournamente (França) | Trois pour un massacre (França) | Hail to the Revolution | Der Eliminator (Alemanha) | Durch die Hölle, Companeros (Alemanha) | Blood and Guns (U.S.A.) | Long Live the Revolution
  • Elenco: Thomas Milian, John Steiner, Orson Welles, Luciano Casamonica, Angel Ortiz, Anna Maria Lanciaprima, José Torres, Paloma Cela, George Wang, Giancarlo Badessi, Francisco Sanz (como Paco Sanz), Armando Casamonica, Clara Colosimo, Mario Daddi, Lina Franchi, Vittorio Gigli, Rafael Hernández, Alba Majolini, Paola Natale, Alba Maiolini
  • História: Ivan Della Mea
  • Roteiro: Ivan Della Mea, Franco Solinas, Giulio Petroni
  • Fotografia: Francisco Marí­n [Technicolor, Techniscope 2,35:1]
  • Música: Ennio Morricone
  • Canção: "Al Messico che vorrei" cantada por Christy
  • Produção: Alfredo Cuomo, Nicolo Pomilia

Tepepa -

 

Os 4 do Apocalipse

Posted by Spaghetti Westerns on October 7, 2011 at 9:50 PM
  • Diretor: Lucio Fulci
  • Também conhecido como: Os Quatro do Apocalipse (Brasil) | Los cuatro del apocalipsis (Espanha)| Les quatre de l'apocalypse (França) | Four of the Apocalypse (U.S.A.) |Verdammt zu leben - Verdammt zu sterben (Alemanha) | Chaco (Holanda) |Chaco-Banditen (Suécia) | Chaco Teloittaja (Finlândia) | Dyo... alla yperohoi (Grécia)
  • Elenco: Fabio Testi, Thomas Milian, Lynne Frederick, MichaelJ. Pollard, Harry Baird, Donal O'Brien, Bruno Corazzari, Alfredo Lastretti, GiorgioTrestini, Carlos Borromel (como Charles Borromel), Salvatore Puntillo, LorenzoRobledo, Alfonso Rojas, Lone Ferk
  • Roteiro: Ennio De Concini (baseado numa história de FrancisBrett Harte)
  • Fotografia: Sergio Salvati [Eastmancolor, widescreen]
  • Música: Franco Bixio, Fabio Frizzi, Vince Tempera
  • Canções: "Movin' On", "Bunny (Let's StayTogether)", "Was it all in Vain", "Let Us Pray","Stubby (You're Down and Out)" cantadas por The Cook & BenjaminFranklin Group
  • Produção: Piero Donati

"I Quattro dell'Apocalisse" - A trama basicamente se concentra em quatro personagens de pouca sorte: um jogador  (Fabio Testi), uma prostituta grávida (Lynne Frederick), um alcoólatra (Michael J. Pollard) e um antigo escravo negro que acredita poder falar com os mortos (Harry Baird).  Eles são expulsos pelo xerife de Salt Flat e, juntos, saem da cidade em busca de uma vida melhor. No deserto, para azar do grupo, acabam conhecendo um sádico bandido (Tomas Milian), que lhes fará perder a pouca dignidade e a autoestima que lhes resta. 

Bom ou ruim, a viagem continuará para alguns deles e, em meio à desolação de suas vidas, ainda haverá espaço para a esperança, personificada no bebê que está para nascer, da única mulher do grupo.

Os quatro personagens deste filme estão perfeitamente representados por atores notáveis, embora não particularmente talentosos para a arte dramática neste trabalho. Na verdade, por seu roteiro não usual, 'Os 4 do Apocalipse" é muito mais uma história psicológica sobre um grupo de perdedores, que quase não se vê as cenas habituais do gênero. A exceção está apenas na época do velho Oeste, e nos personagens, que são estereótipos do velho e selvagem Oeste americano. Este mesmo roteiro poderia ser aplicado a qualquer outra época, e o resultado seria o mesmo.

Com toda certeza, 'Os 4 do Apocalipse' não é um filme indicado para todos os estômagos.  No transcorrer da trama, vemos vários momentos que chegam a aborrecer até o próprio espectador, sobretudo, a partir do momento em que aparece em cena o brutal personagem de Chaco (mais uma vez Milian aparece soberbo, interpretando mais um personagem,como é habitual dele), um bandido que não vai demorar para rir, humilhar e maltratar cada um dos integrantes deste grupo de desafortunados, no árido e desolado deserto do velho Oeste.

Como se fosse um road movie, os protagonistas tentam chegar ao seu Eldorado idílico, mas, infelizmente, apenas dois personagens acabam chegando, e dos dois, apenas um é dos quatro que começaram a jornada. Obviamente, este "Eldorado" não é nenhuma cidade banhada a ouro, mas apenas um pequeno povoado mineiro, nas montanhas.

O filme foi produzido como uma autêntica fita B, e é no sufocante e difícil roteiro,  sem falar especialmente no trabalho de um elenco sensacional (que consegue engrandecer ahistória), que encontramos as virtudes do filme, uma verdadeira raridade, masque vai agradar aos fãs do genuíno spaghetti western.

Na metade do filme, o ritmo narrativo desorienta o espectador. Fica uma impressão de que Fulci "se cansou" de fazer um spaghetti western, ou que "se esqueceu" do que estava fazendo, e deleita-se com suas próprias obsessões niilistas em torno da morte e da religião, sem se importar se isso resulta excessivo ou não para o gênero.

Isto se constata na cena de uma caravana jnteira, de evangélicos, assassinados por Chaco. Outras evidências são as cenas de uma Bíblia ensanguentada, a conversa do já demente Bud com as tumbas de um cemitério, e o interminável e doloroso parto da prostituta, com sua morte posterior. Tudo pode evidenciar o interesse de Fulci por um ambiente de pura crueldade, que fere o espectador, ou que o faça regozijar-se sadicamente. E tudo isso sem se importar se o filme perde  em seu rítmo ou se algumas das cenas sejam exibidas até o intolerável.

No resumo de tudo, 'Os 4 do Apocalipse' pode ser considerado um filme que os admiradores do gênero precisam assistir para tirarem suas próprias conclusões. Apesar da violência extrema, o filme possui pontos fortes que compensam bem as suas fraquezas.  Para muitos, pode não ser considerado dos melhores filmes do gênero, mas, sem nenhuma dúvida, o seu título estará registrado para sempre no grande rol dos filmes do lendário ciclo chamado spaghetti western.