" />" />

Por Um Punhado de Spaghetti Westerns - PPSW

A Fistful of Spaghetti Westerns

Documento Post New Entry

Você tem uma Revisão ou qualquer outro artigo sobre Spaghetti Western que gostaria de postar aqui?  Então, clique em "Post New Entry" e deixe o seu registro completo e detalhado sobre o referido tema. (somente para membros)

view:  full / summary

Si Pu Fare... Amigo - 1972

Posted by Henrique Sousa on July 7, 2017 at 11:35 PM Comments comments (0)

Assim é Que Se Faz, Amigo – 1972

Dirigido por Maurizio Lucidi


Quando comprei o dvd “Si Può Fare... Amigo”, corri para casa com uma enorme expectativa. O sorriso era de orelha a orelha, afinal, tratava-se de mais um filme com o grande Bud Spencer, e dessa vez, ao lado de outro grande do Spaghetti Western, Jack Palance. Ao colocar o disco no player, a primeira impressão foi a pior possível. É claro que alguns fatores contribuíram para isso, como por exemplo, a imagem chuviscada, desfocada, completamente sem definição, além de uma dublagem realmente ridícula. Isso, sem falar do formato de tela, quadrado, que mais parecia uma bolacha cream craker. Enfim, um conjunto da obra deveras desestimulante. Por conta disso acabei deixando o dvd guardado no acervo por um bom tempo, pois, nessas condições, sinceramente, não deu para assistir.

Recentemente, adquiri uma cópia desse filme, em outro nível de qualidade completamente diferente, e o que vi, realmente me surpreendeu. Aqui não temos um filme violento, no estilo “Django” ou “Por Um Punhado de Dólares”, mas o que o seguidor do gênero vai encontrar, diverte e agrada bastante. No filme o espectador verá Hiram Coburn (Bud Spencer), um homem desengonçado, que não usa armas, mas que é muito bom de briga. Também verá Rufus, o cavalo de Coburn, um fiel companheiro que demonstra ser muito mais esperto do que o próprio dono. Por outro lado temos Sonny Bronston (Jack Palance), um temível e infalível pistoleiro que caça o homem que supostamente “mexeu” com a sua irmã, e por conta disso, quer obrigá-lo a casar-se com ela, para depois matá-lo. Segundo ele, o casamento não devolveria a honra da sua irmã, mas com a morte do marido, ela seria uma viúva respeitada.

Um dos pontos altos do filme é o jovem ator Renato Cestiè, que interpreta Chip Anderson, o esperto garotinho lourinho da trama. Ele herda do tio uma casa velha e abandonada, que todos misteriosamente querem comprar, e que, no final, é onde se descobre um grande poço de petróleo. O casamento dentro da delegacia, com o noivo completamente amarrado, e obrigado a dizer “sim”, é hilariante, e lembra alguns fatos reais que acontecem até hoje em muitas cidades pequenas do interior. Pelo menos, acontecia com frequência, certamente. Aqui, o rude Hiram Coburn acaba sendo obrigado a se casar com a doce e meiga Mary Bronston (Dany Saval), que após o casamento, instantaneamente se transforma na mulher mais rabugenta e insuportável de todo o ciclo Spaghetti Western.

Além desses tópicos que mencionei, há inúmeros outros que fazem desse filme um bom entretenimento. É claro que não vou recomendar que o seguidor assista ao dvd nacional, pois, a julgar pelo que eu tenho, que é daqueles que as pessoas chamam de “original”, a qualidade, em todos os quesitos, é extraordinariamente decepcionante. É bem melhor procurar na net, para download, e depois, baixar a legenda. Quanto ao filme, grande atuação de Spencer e Palance. Está bem recomendado.


Os Canhes de San Sebastian - 1968

Posted by Henrique Sousa on July 5, 2017 at 7:55 AM Comments comments (0)

Los Cañones de San Sebastián – 1968

Dirigido por Henri Verneuil


Este é um filme realmente fantástico, e que me agradou bastante, cujos comentários e curiosidades, publico aqui. Trata-se de uma coprodução entre França e Itália (algumas publicações também incluem o México), que tem algumas curiosidades bem interessantes. Ao contrário do lendário solo de Almeria, na Espanha, aqui, todas as locações foram realizadas em território mexicano, mais precisamente nas regiões de Durango, El Saltito e San Miguel de Allende. Apesar disso, é um Spaghetti Western. O filme também tem uma forte credencial, no quesito trilha sonora, que é a composição sob a batuta do grande Ennio Morricone. Dessa vez, não temos as costumeiras tramas de vingança ou caça ao ouro, dos Eurowesterns, mas a trama é realmente muito interessante. Leon Alastray (Anthony Quinn) é um bandido revolucionário no México de 1746 que, ferido e perseguido pelo exército espanhol, acaba invadindo, à cavalo, uma igreja repleta de fiéis, no exato momento da missa. Lá ele recebe a proteção de Padre Joseph (Sam Jaffe), que não o entrega às autoridades. Como punição, Padre Joseph é transferido para uma longínqua paróquia, há 12 dias de viagem, atravessando um grande deserto. O rebelde Alastray segue com ele (muito em agradecimento por ter salvo a sua vida), escondido em sua carroça. Após dias de viagem, com fome e sede, depois de perderem a carroça e a mula morrer, conseguem chegar ao povoado de San Sebastian. Eles descobrem um vilarejo abandonado, que foi arrasado pelos índios Yaquis, e cujos moradores se refugiaram nas montanhas. Se não bastasse a árdua viagem, as coisas ficam ainda mais complicadas para Leon Alastray quando Padre Joseph morre, após sua chegada, e o rebelde acaba sendo confundido pelos camponeses, que descem das montanhas, como o novo padre que foi enviado para aquela comunidade, uma vez que usava o manto que o padre havia lhe emprestado, para proteger-se do sol.

Quanto ao elenco, Anthony Quinn está brilhante neste filme, num papel que parece ter sido feito sob medida para ele. Charles Bronson é Teclo, um bandido cruel que aterroriza os pobres camponeses, fingindo dar proteção a eles contra os índios, mas que, ao mesmo tempo, é amigo desses mesmos índios Yaquis.

Os Canhões de San Sebastian é um filme de 1h e 46 minutos, que diverte, especialmente enquanto Padre Joseph está vivo, e repleto de ação, do começo ao fim. Para os fãs e seguidores de Spaghetti Western, é um filme para se ter em acervo, e que vai agradar em cheio ao espectador de qualquer gênero. Filme altamente recomendado.


Bill, il Taciturno

Posted by Henrique Sousa on June 27, 2017 at 9:15 PM Comments comments (0)

Bill, il taciturno – 1967

Dirigido por Massimo Pupillo


Bill (George Eastman ) é um tipo de personagem que é marca registrada no Spaghetti Western. É o típico anti-herói, que está ali, de olho em qualquer dinheiro fácil, mas, ao mesmo tempo, ele é rápido no gatilho, e busca por vingança. Em minha opinião, o personagem Bill foi criado sob medida para George Eastman, muito em razão do seu porte físico avantajado e aparência favorável. A apresentação dos créditos iniciais, com Bill trotando em seu belo cavalo, ficou realmente fabulosa. No geral, em que pese os 16 Spaghettis do ator, penso que temos aqui a sua melhor performance no vasto currículo, o que, sem dúvida, torna este filme muito interessante e agradável aos seguidores do gênero. Alguns críticos apontam a história como mais uma banal repetição de “Por Um Punhado de Dólares”, mas isso, certamente, não deve influenciar o fã do gênero. Não se pode esquecer que o gênero foi todo influenciado pela herança do mestre Sergio Leone, e a receita era boa, razão pela qual os diretores trilhavam sempre para o mesmo rumo. Pessoalmente, eu vejo neste “Bill, Il Taciturno” um ótimo filme, com direção firme de Massimo Pupillo, com excelentes cenas de tiros e bastante violência, como deve ser um autêntico Spaghetti Western. A trilha sonora, de Berto Pisano, está bem ao estilo do gênero, o que torna o clima da trama, especialmente na travessia pelas montanhas, bem tenso e repleto de suspense.

Como curiosidade, o título original do filme é “Bill, Il Taciturno”, entretanto, o personagem também é chamado de Django, em alguns países como a França, Alemanha, EUA e Grécia. Assistindo à cópia americana (Django Kills Softly), percebi que durante toda a trama, o personagem é chamado de Bill, e apenas em uma única cena, já no final, é chamado de Django, por Linda (Liana Orfei), que acaba sendo seu par romântico na história. Se bem que no Spaghetti não é comum o mocinho ficar com a mocinha, no final.

Sobre o dvd desse filme, não tenho conhecimento se alguma distribuidora o lançou no mercado brasileiro. O que sei é que há uma cópia, legendada, em português, rolando pela internet, para download. Essa mesma cópia pode ser encontrada no YouTube, o que facilita aos seguidores assistir e avaliar o filme. Isso é muito bom, mesmo a imagem não sendo de boa qualidade e tendo alguns trechos cortados. Em suma, temos aqui um ótimo western que vai agradar em cheio ao mais spagheteiro dos seguidores.


Texas, Adeus - 1966

Posted by Henrique Sousa on June 27, 2017 at 7:45 PM Comments comments (0)

Texas, Addio - 1966

Dirigido por Ferdinando Baldi


Quando digo que este é um filme com muitas qualidades, é a mais pura verdade. A começar pelo título que, definitivamente, tem um lugar de destaque no gênero. Além do mais, o espectador pode observar que a sua fascinante e genial fotografia, eleva ao extremo a semelhança da região de Almeria com o Texas, ou mesmo o México, o que torna a atmosfera western a mais real possível.

Também tem o destaque da trilha sonora, de Anton Garcia Abril, e da mão firme e maestra do diretor Ferdinando Baldi, que aqui realiza uma história de justiça com boa dose de violência, regada a belíssimas e perfeitas cenas de tiros, que é exatamente o que o seguidor do gênero mais gosta.

Na trama, Burt Sullivan (Franco Nero) é um homem da lei numa cidade do Texas. Certo dia ele toma conhecimento de que o homem que matou seu pai, um assassino chamado Cisco Delgado (José Suárez), está escondido no México. Burt decide ir em busca do assassino e trazê-lo para ser julgado no Texas. Seu irmão mais novo, Jim (Alberto Dell'Acqua), se une a ele nesta busca. O que os dois irmão não imaginam, é que nesta jornada, a dimensão dos segredos que serão descobertos acerca do homem que buscam, mudarão suas vidas para sempre..

No elenco, além de Nero, Dell'Acqua e José Suárez, há também as presenças de Elisa Montés e Luigi Pistilli.

Por fim, este é um filme que sacramentou de vez o nome de Franco Nero no cenário internacional, num ano (1966) bastante produtivo, em que ele realizaria, ao todo, quatro Spaghettis: Django; Adiós, Texas; Tempo di Massacro; Gli Uomini dal Passo Pesante.

Este é um Spaghetti que o fã do gênero não pode deixar de ter ou assistir.

 

Curiosidades sobre o dvd "O Pistoleiro de Paso Bravo".

Posted by Henrique Sousa on June 27, 2017 at 6:55 PM Comments comments (0)

Uno Straniero a Paso Bravo - 1968

Dirigido por Salvatore Rosso


Me detenho neste ótimo "O Pistoleiro de Paso Bravo" por um detalhe que considero realmente muito curioso. Sabe-se que este filme foi lançado em dvd, com títulos em vários países, como Brasil, EUA, Espanha, França, Alemanha e Grécia. O trabalho final do dvd brasileiro é digno de elogios e, ao mesmo tempo, severas criticas. Primeiro, para você compreender bem, o fã brasileiro tem o privilégio de dispor deste filme na íntegra. Não há um corte sequer nesta cópia, que é, exatamente, a cópia estadunidense (A Stranger in Paso Bravo). Esta é a parte elogiável.

A crítica fica por conta apenas do formato de tela. A imagem está tão quadrada, que parece até a capa de um disco de vinil. Isso sem falar que, ao lançar mão desse formato horrível, a qualidade da imagem cai muito.

Por conta disso fui à caça, na net, por vários dias, em busca da cópia perfeita, e a encontrei, em alta definição, em arquivo mkv, avi e mp4. Acontece que, em toda a grande Rede, a única cópia que se consegue encontrar é a espanhola "Los Pistoleros de Paso Bravo", e aí, a decepção é grande. É uma pena, mas, infelizmente, a cópia espanhola está repleta de cortes, a começar pelo prólogo do filme, em cuja cena, em uma diligência, Gary declara que está indo a Paso Bravo, e só a partir daí, é que se inicia a apresentação de créditos do filme, com Steffen caminhando pelo deserto. Daí em diante, há uma sucessão de cortes tão grande que se você colocar, simultaneamente, o dvd brasileiro e a cópia espanhola, a história desta segunda vai transcorrer com uma maior velocidade, pelo fato da ausência de várias cenas e diálogos.

Em minha busca, na Internet, eu tentei encontrar uma única cópia estadunidense, para download, mas acabei não conseguindo. Parece que, pelo menos por enquanto, o dvd nacional, é o que vai permanecer em meu acervo, com o consolo de, ao menos, ser uma cópia completa, que já vale bastante.

 

L'uomo, L'orgoglio, La Vendetta - 1967

Posted by Henrique Sousa on January 13, 2017 at 7:55 PM Comments comments (0)

Django Não Perdoa, Mata - 1967

O mais importante que o fã do gênero precisa saber é que este filme não é um western. Na verdade, o 'fuzuê' amoroso entre José (Franco Nero) e Carmen (Tina Aumont), faz desse filme uma autêntica novela super melodramática, que vai agradar em cheio ao fã de um outro gênero chamado Drama. Pode ser fácil imaginar o que houve aqui. Com a presença de gigantes do western, como Franco Nero, Klaus Kinski, Lee Burton e Alberto Dell'Acqua, entre outros, as distribuidoras acabaram vendendo o filme como um western para vários países, inclusive a Alemanha. Basta observar que a trama não ocorre no Oeste americano, ou na fronteira mexicana. Aqui, o complicado romance entre José e Carmen ocorre na Espanha, na região de Andaluzia, no final do século XIX. O titulo brasileiro "Django Não Perdoa, Mata" é realmente muito sugestivo, entretanto, confesso que fiz 'cara feia' ao tentar assistí-lo.

Trs fatos sobre "Por Uns Dlares a Mais"

Posted by Henrique Sousa on January 4, 2017 at 12:55 AM Comments comments (0)

Sobre "Por Uns Dólares A Mais":

 

  • - A escolha original do diretor Sergio Leone para o personagem Douglas Mortimer era o ator Lee Marvin.
  • - Precedido por "Por um Punhado de Dólares" (1964) e sucedido por "Três Homens em Conflito" (1966).
  • - O orçamento de Por uns Dólares a Mais foi de US$ 600 mil.

Curiosidades sobre Clint Eastwood

Posted by Henrique Sousa on January 4, 2017 at 12:05 AM Comments comments (0)

Sobre Clint Eastwood:

 

 

  • - Por incrível que pareça, Eastwood pretendia ser advogado, mas desistiu da idéia após matricular-se em uma escola de arte dramática. Passou então, a fazer parte do teatro de repertório de Los Angeles.
  • - Utilizou o mesmo poncho, sem nunca ter lavado, em todos os westerns do qual participou.
  • - Com a guerra da Coréia, que aconteceu entre 1950 e 1953, Clint foi enviado ao país. Durante as batalhas, o navio no qual estava afundou e ele teve que nadar três milhas para se salvar.
  • - Os primeiros filmes dos quais participou foram de categoria B, como Tarântula (1955) e Vingança da Criatura (1955). Designado a papéis pequenos, conseguiu um espaço na série de TV Rawhide. O valentão Yates Rowdy transformou o nome de Clint Eastwood conhecido em todo o país. Mas, seria com "Por um Punhado de Dólares" que Clint se tornaria reconhecido nas telonas e inauguraria um novo gênero, ao lado do diretor italiano Sergio Leone: os ''western spaghetti'', ou bang-bang à italiana.
  • - Por incrível que pareça, Eastwood pretendia ser advogado, mas desistiu da idéia após matricular-se em uma escola de arte dramática. Passou então, a fazer parte do teatro de repertório de Los Angeles.

 

Conhecendo um pouco de Frank Braa

Posted by Henrique Sousa on January 3, 2017 at 1:40 PM Comments comments (0)

Para os fãs do gênero Spaghetti Western o rosto de Frank Braña, com toda certeza, pode parecer muito familiar e facilmente reconhecido pelos tantos filmes onde ele atuou. Depois de voltar da Inglaterra, onde aprendeu inglês, e trabalhar em um restaurante, em Madrid, conheceu a filha de um diretor de cinema e, graças a ela, começou a trabalhar no mundo do cinema. Geralmente não atuava como protagonista, mas, na maioria das vezes, como capanga de azendeiros ou como personagem secundário.

Francisco Braña Pérez nasceu em 24 de fevereiro de 1934, em Pola de Allande, Asturias. É considerado um dos secundários espanhóis com maior número de atuações ao longo de uma extensa carreira cinematográfica. Nas toneladas de westerns onde participou sua presença sempre foi muito requisitada, pois, tratava-se de um artista cuja presença sempre foi muito marcante, confiável e memorável. Quem não se lembra da inesesquecível cena de abertura de "Três Homens em Conflito" (The Good, The Bad and The Ugly), onde três caçadores de recompensas tentam capturar o feio e perigoso Tuco (Eli Wallach)?

 

Frank Braña faleceu na madrugada de 13 de fevereiro de 2012 (segunda-feira), vítima de uma insuficiência pulmonar, logo após ter dado entrada no Hospital Puerta de Hierro, de Majadahonda (Madrid), pouco antes de seu 78º aniversário.

Descanse em paz, Frank Braña, e muito obrigado por sua contribuição ao gênero que se tornou (e ao que todos conhecemos hoje como uma lenda que nunca morre) um fenômeno chamado Spaghetti Western.

 

Filmografia SW:

 

1964- La carga de la policia montada (Cavalry Charge)

1964- Por un puñado de dólares (Por Um Punhado de Dólares)

1964- Brandy (Cavalca e uccidi)

1964- El hombre de la diligencia (Cerco de muerte)

1964- Los rurales de Texas (I due violenti)

1964- la Tumba del pistolero (Tomb of the Pistolero)

1965- El Proscrito del río Colorado (Django le proscrit)

1965- Joaquín Murrieta (A morte de um pistolero)

1965- El último mohicano (La valle delle ombre rosse)

1965- Fuerte perdido ( I rinnegati di Fort Grant)

1965- Tierra de fuego (Jessy non perdona... uccide)

1965- La Muerte tenía un precio (Por uns dólares a mais)

1965- Adios, gringo (Adeus Gringo)

1965- Una Tumba para el sheriff (Um Caixão Para O Xerife)

1966- Sugar colt (El dia de la masacre)

1966- Mestizo ( Django non perdona)

1966- El precio de un hombre (O preço de um homem)

1966- El Rancho Maldito ( Ringo de Nebraska )

1966- Cazador de recompensas (Per il gusto di uccidere)

1966- El Halcón y la presa (La Resa dei conti)

1966- El Bueno, el feo y el malo (Três Homens em Conflito)

1967- El hombre que mató a Billy el Niño (O homem que matou Billy the Kid)

1967- Oro maldito (Django Kill)

1967- Tú perdonas...yo no (Deus perdoa... eu não)

1967- Faccia a faccia (Cara a cara)

1967- Un hombre vino a matar (L'uomo venuto per uccidere)

1968- Quinces horcas para un asesino (Quindici forche per un assassino)

1968- La Hora del coraje (Tutto per tutto)

1968- Un minuto para rezar, un segundo para morir

1968- Lo quiero muerto (Eu Quero Ele Morto)

1968- El sabor del odio (Uma Pistola Para Cem Caixões)

1968- El Secreto del capitán O'Hara ( Il segreto di Ringo)

1968- Los cuatro truhanes (Quattro dell'Ave Maria)

1968- Hasta que llegó su hora (Era uma vez no Oeste)

1968- Por techo, las estrellas (Quem dispara primeiro)

1969- Sin aliento (La morte sull'alta collina)

1969- Dos hombres van a morir (Ringo, o cavaleiro solitário)

1969- Garringo

1969- El vengador del sur (I vigliacchi non pregano)

1969- La muerte de un presidente (O preço do poder)

1970- Un par de asesinos (Sartana é Seu Nome)

1970- El Zorro justiciero (E continuavano a chiamarlo figlio di...)

1970- Manos torpes (Matar, fugir ou morrer)

1971- Y dejaron de llamarle Camposanto (Ainda Me Chamam Campo Santo)

1971- !Llega Sartana! (Sartana Está Chegando)

1972- Los buitres cavaran tu fosa (I corvi ti scaveranno la fossa)

1972- El más fabuloos golpe del Far West

1972- Una bala marcada (Dio in cielo... Arizona in terra)

1972- La muerte llega arrastrándose (A Morte Chega a Assobiar)

1973- Mano rápida (Fast Hand Is Still My Name)

1973- Los tres superhombres en el Oeste (Three Supermen of the West )

1973- Un dólar de recompensa (As balas do odio )

1973- La banda de Jaider

1975- Si quieres vivir...dispara (If You Shoot... You Live!)

1975- Dallas (Os dez Homens do Oeste)

1975- La Máscara de cuero (In nome del padre, del figlio e della Colt)

1976- Fantasmas en el oeste (Whisky e fantasmi)

1981- Duelo a muerte (Venganza del lobo negro)

1981- El lobo negro (The Black Wolf)

1985- Tex e il signore degli abissi (Tex Willer e os Senhores do Abismo)

Sete Consideraes sobre "Era Uma Vez no Oeste"

Posted by Henrique Sousa on January 3, 2017 at 1:05 PM Comments comments (0)

* Sobre "Era Uma Vez No Oeste":

 

  • - O ator Henry Fonda inicialmente recusou o convite do diretor Sergio Leone para estrelar Era uma Vez no Oeste. Fonda apenas aceitou participar do filme após o próprio Sergio Leone viajar para os Estados Unidos e convencê-lo a estrelar Era uma Vez no Oeste.
  • - Originalmente era a intenção do diretor Sergio Leone que Clint Eastwood interpretasse o personagem que acabou ficando com Charles Bronson em Era uma Vez no Oeste.
  • - O diretor Sergio Leone pretendia que os três protagonistas de Três Homens em Conflito, Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, aparecessem em uma pequena ponta no segmento logo no início do filme, mas como Eastwood não estava disponível no período das filmagens de Era uma Vez no Oeste esta idéia acabou sendo arquivada.
  • - Al Mulock, que interpretou um dos três atiradores que aparecem na sequência de abertura do filme, se suicidou em pleno set de filmagens de Era uma Vez no Oeste.
  • - Os créditos do filme são mostrados no decorrer dos 14 minutos iniciais de Era uma Vez no Oeste.
  • - Algumas versões americanas de Era uma Vez no Oeste possuem 20 minutos a menos que a versão original, excluindo diversas cenas do filme como todas as que aparecem o personagem de Lionel Stander.
  • - Era uma Vez no Oeste é a primeiro filme da trilogia feita pelo diretor Sergio Leone sobre a América. Os demais filmes foram Quando Explode a Vingança (1972) e Era uma Vez na América (1984).

Curiosidades sobre Anthony Steffen

Posted by Henrique Sousa on January 3, 2017 at 11:50 AM Comments comments (0)

* Sobre Anthony Steffen:

 

01- Anthony Steffen nasceu na Embaixada do Brasil em Roma, filho do embaixador Manuel de Teffè, e por isto tinha dupla nacionalidade. Foi batizado com o imponente e aristocrático nome de Antonio Luís de Teffè von Hoonbolz, em homenagem ao bisavô, um aristocrata de origem prussiana que foi almirante-chefe da frota brasileira na época de Dom Pedro II e que recebeu do imperador o título nobiliárquico de Barão de Teffè.

02- Certa vez, analisando o sucesso dos spaghetti westerns, Steffen arriscou sua interpretação do fenômeno. Disse que o mundo estava mudando nos anos 1960 e, se os faroeste feitos na Itália faziam mais sucesso do que os autênticos, produzidos pelos americanos, é porque eram mais cruéis, mais verdadeiros. "Eram duros e extremamente realistas", disse ele.

03- Antes de estrear como ator, foi assistente de direção de Mauro Bolognini em Ci Troviamo in Galeria, de 1953 – e o filme era interpretado pela jovem Sophia Loren e por Alberto Sordi. Foi produtor (Django, o Bastardo, em 1969) e roteirista (Os Mil Olhos do Assassino, em 1974). Em 1965, quando o spaghetti western já se tornara o gênero dominante da produção industrial italiana, foi cooptado pelo diretor Edoardo Mulargia, que o convidou para estrelar um daqueles bangue bangues filmados nas planícies de Almeria, na Espanha, escolhidas pela semelhança com as pradarias dos Estados Unidos.

04- Steffen gostava de contar que a única exigência do diretor foi a de que ele soubesse montar. Disse que era um cavaleiro estupendo, mas não era. Nunca havia montado num cavalo e esse foi apenas o começo de seus problemas com eqüinos. Mais tarde, durante a rodagem de um dos 23 spaghetti westerns que interpretou – quase sempre, ou sempre, dispensando dublês –, sofreu um acidente. O cavalo rodou e caiu sobre ele. Antonio de Teffè teve de ser hospitalizado. Pegou ódio de cavalo, mas seguiu montando, por razões de ordem profissional.

Django No Espera... Mata - 1967

Posted by Henrique Sousa on September 21, 2016 at 7:10 PM Comments comments (0)

 

Non Aspettare Django, Spara – 1967

Dirigido por Edoardo Mulargia (aqui creditado como Edward G. Muller)

 

Este é um spaghetti realizado com muita cautela, e sem nenhuma pretensão de alcançar grandes glórias, como é o caso dos grandes clássicos. Apesar disso, o filme é muito bom, com uma trama muito bem elaborada, que pode até dar um nó na cabeça do fã do gênero.

Quer tentar? Vejamos:

- O pai de Django Foster é assaltado e assassinado por um bandido chamado Navarro.

- Pouco depois, Navarro é enganado por seu próprio filho, que foge para uma cidade fronteiriça com o dinheiro.

- Quando Navarro chega, seu filho está morto, e o dinheiro desaparecido.

- Furioso e ansioso, Navarro quer matar Django (que está ali para vingar a morte do pai), mas não sabe que este não é o responsável pela morte do filho, e sim, um sujeito chamado Gray, que com a ajuda da sua noiva, Judy, pretende fugir com o dinheiro.

- Barrica, um conhecido de Django, descobre sobre Gray, e este é assassinado em um duelo.

- Navarro e Alvarez, um velho inimigo dos Foster, chamam um pistoleiro famoso chamado Hondo, para recuperar o dinheiro.

- A primeira coisa que Hondo faz é sequestrar Mary, a irmã de Django.

Parece complicado? Pode ser, mas o seguidor pode entender melhor quando assiste ao filme no conforto do seu sofá.


Elenco: Ivan Rassimov, Ignazio Spalla, Rada Rassimov, Vincenzo Musolino, Gino Buzzanca, Franco Pesce, Celso Faria, Marisa Traversi.

Música: Felice Di Stefano

Henrique Sousa

Killer Kid - 1967

Posted by Henrique Sousa on September 21, 2016 at 7:10 PM Comments comments (0)

Killer Kid - 1967

Dirigido por Leopoldo Savona.


O que dizer desse belo filme que eu assisti esses dias? Este interessante spaghetti, da linha Zapata Western, divide opiniões de vários "críticos" especializados do gênero. Enquanto alguns o consideram muito aceitável e dentro da média, outros o classificam como um filme fraco. Opiniões à parte, esta celeuma de Babel mostra apenas que cada um tem o seu próprio ponto de vista, onde o que fica é a sensação do dever cumprido ao divulgá-lo. É como diz Blondie, em Três Homens em Conflito: "cada arma produz o seu próprio som".

Sobre o filme, percebo que há uma diferença significativa para os spaghetti mais representativos dessa linha, como “Tepepa”, “Il Mercenario” ou “Quien Sabe?”, que apresentam uma forte reflexão ideológica sobre o significado e a necessidade da Revolução Mexicana. No caso deste Killer Kid, a Revolução é apenas um pretexto que serve de ambiente para produzir um belo filme de aventuras.

Dois monstros sagrados dos spaghetti, Anthony Steffen e Fernando Sancho, tocam o filme. Sancho interpreta o seu habitual papel de mexicano gordo, extrovertido e carismático. Steffen deixa de lado qualquer resíduo cômico e adota uma postura muito séria, dedicando-se à causa revolucionária, sem palestras ou palanques, mas com muitos tiros, matando rebeldes a torto e a direito.

Aqui temos uma das melhores atuações do extenso currículo de Anthony Steffen, sem nenhuma dúvida.

Para mim, o filme está altamente recomendado.


Elenco: Anthony Steffen , Luisa Baratto, Fernando Sancho , Giovanni Cianfriglia, Tom Felleghy, Fedele Gentile, Howard Nelson Rubien, Virginia Darval, Adriano Vitale, Ugo Adinolfi.

Música: Berto Pisano

Henrique Sousa

Os erros das distribuidoras de DVDs

Posted by Henrique Sousa on February 17, 2016 at 1:45 PM Comments comments (0)

Vez por outra nos deparamos com erros, no mínimo imperdoáveis, e totalmente inexplicáveis, cometidos pelas produtoras/distribuidoras de vídeos responsáveis pelos lançamentos das cópias de filmes do gênero spaghetti western, no mercado nacional. Longas cenas cortadas, dublagens horríveis e embalagens com o filme errado, são alguns dos casos mais comuns.

Para que o leitor compreenda bem o assunto aqui abordado, vou citar alguns exemplos bem conhecidos, e por mim já abordados, o que considero um verdadeiro desrespeito aos fãs e seguidores brasileiros dos faroestes italianos. Esses cortes podem passar despercebidos da maioria dos cinéfilos de plantão, porém, sempre vai haver alguém que irá perceber. Elas podem até serem cometidas de modo inocente, ou mesmo intencionalmente. Tudo é possível, não dá para fazer um julgamento.

Para começar, temos o caso de Trinity Ainda é o Meu Nome (Trinity is Still my Name). Aqui, a cópia disponibilizada pela distribuidora no mercado brasileiro, foi lançada completamente mutilada. São mais de quatro minutos de cena, onde Bambino caminha pelo deserto, carregando a cela do seu cavalo nas costas, parte que os fãs nunca verão, a não ser que assista uma cópia estrangeira. Na cópia em inglês, a cena deletada ocorre após os créditos de abertura. Na cópia espanhola, ela aparece antes dos créditos, com Terence Hill.

Outro caso escabroso ocorre no filme O Matador de Elite (Gentleman Killer), protagonizado por Anthony Steffen. Quase nove minutos de material foi extraido na cópia brasileira. Os fãs que já assistiram ao filme, provavelmente nunca perceberam (e nem poderiam), porque não é tão simples assim perceber esses cortes. Para isso seria necessário que, anteriormente, o cinéfilo já tivesse visto uma outra cópia, integralmente. Esses nove minutos de material cortados contém cenas de ação de grande importância no desenvolvimento da trama. Não deveriam nunca terem sido irresponsavelmente deletadas da cópia brasileira.

Tem também o caso dos filmes “Uma Pistola Para Ringo” e “O Retorno de Ringo”, ambos estrelados pelo grande ator Giuliano Gemma. A Ocean Pictures lançou no mercado nacional a cópia de “O Retorno de Ringo”, porém, cometeu o bizarro erro de estampar na embalagem do produto, o título “Uma Pistola Para Ringo”. Durante vários anos este erro permaneceu assim, sem nenhuma explicação, retificação ou retratação da distribuidora, e provavelmente, ainda se encontre no mercado dessa forma. Apenas recentemente, fiquei sabendo que a mesma distribuidora lançou um DVD duplo com os dois filmes.

Além dos casos acima, bizarros e inaceitáveis, ainda há mais um episódio inexplicável de atropelo ao gênero spaghetti western. Dessa vez a vítima é o filme O Grande Duelo (The Grand Duel) , com Lee Van Cleef, Giancarlo Santi e Horst Frank. Esse, provavelmente, é o maior erro cometido em toda a história da distribuição de filmes de todos os tempos, em território brasileiro. O filme está disponível em lojas de departamentos de todo o país, lançado pela Wet Music, e foi disponibilizado em uma embalagem com uma imagem em preto e branco de Lee Van Cleef, levantando levemente a aba do chapéu. Em letras garrafais, a palavra “Westerns, Heroes & Bandits”, e em seguida, o título do filme: “O Grande Duelo”.

Até aí, tudo certo, nada de errado. A grande surpresa, no entanto, está quando o disco é colocado no DVD Player. A mídia gravada no disco nada tem a ver com o filme “O Grande Duelo”, spaghetti western protagonizado pelo grande Lee Van Cleef. Ao iniciar a reprodução no player, o fã do gênero ficará atônito, pois, o filme reproduzido será “The Sundowners” (Os Madrugadores), filme de 1950, dirigido por George Templeton, e estrelado por Robert Preston e Robert Sterling. Aconteceu comigo e foi grande a decepção ao constatar que o filme comprado, na realidade, não era o que indicava na embalagem.

No resumo de tudo, fica aqui o meu alerta para quem adquirir a cópia de “O Grande Duelo”, lançada pela Wet Music. A capa do DVD indica um filme, mas, no disco, o conteúdo é outro, completamente diferente. A respeito de todas essas falhas, penso que as distribuidoras deveriam retificar seus erros, no mínimo, promovendo o relançamento desses filmes em cópias íntegras e fiéis. Certamente, não repararia o dano, mas, já seria um sinal de boa vontade e respeito ao universo de fãs e seguidores desse gênero chamado de spaghetti western.

Henrique Sousa

 

De Mis Enemigos me Ocupo Yo! (1968)

Posted by Henrique Sousa on February 10, 2016 at 8:55 PM Comments comments (0)

Dai Nemici mi Guardo io! - 1968

Dirigido por Mario Amendola (aqui creditado como Irving Jacobs)

Música de Carlo Rusticelli


No meio ambiente cinematográfico, Mario Amendola é muito conhecido pela preciosa contribuição de seus roteiros em inúmeras produções. Em seu extenso currículo, o incansável roteirista contabiliza mais de 150 filmes nos quais os créditos apontam o seu nome no quesito roteiro.

No ciclo spaghetti western são diversos os roteiros creditados a Mario Amendola, entre eles “Il Grande Silenzio” (1968; “O Último Samurai do Oeste” (1974); “Los Hijos del Día y de La Noche” (1972); “O Dia da Violência” (1967); “Gringo, Dispare Sem Piedade” (1968; “Pistolero Mortal ... a Vece” (1972), entre outros. Entretanto, como diretor, os filmes "De Mis Enimigos Me Ocupo Yo!" (1968 e “Il Terrore dell'Oklahoma” (1959) foram suas únicas incursões no spaghetti western, o que pode parecer pouco para quem respirou por tanto tempo a atmosfera do subgênero.

O filme está repleto de tudo que o fã do autêntico faroeste mais gosta: ação, aventura e um roteiro sério, onde a trama central se assemelha bastante ao terceiro filme da Trilogia dos Dólares, de Leone. Aqui, o referencial é o ouro supostamente enterrado após a Guerra de Secessão pelo exército confederado com o objetivo de que não caísse nas mãos dos nortistas.

O mapa desse cobiçado tesouro são três moedas de dólar muito especiais que, uma vez reunidas, podem determinar a localização exata do lote. Nessa busca sangrenta, três indivíduos estão dispostos a tudo para por as mãos nesse precioso tesouro: um gringo, um mexicano de intenções duvidosas e um vilão realmente muito mau.

Me chamou a atenção, neste filme, a atuação de Charles Southwood, bastante convincente, garantindo os requisitos mínimos de um perigoso pistoleiro, sedento por ouro e com um perfil bastante semelhante ao do Homem Sem Nome, de Clint Eastwood. Outro detalhe marcante é a aparência de Southwood, de barba, bem diferente do que o fã viu em “Com Sartana Cada Bala é uma Cruz”, onde atuou bem arrumadinho, atuando como Sabata. No meu caso, tive que correr aos créditos para conferir se, de fato, era Charles Southwood.

Na parte cômica, Julián Mateos é o extrovertido mexicano Hondo, que se torna “amigo” de Alan Burton (Southwood), mas que na verdade se mostra mais ganancioso e mortal do que os outros dois concorrentes ao lote de ouro. No papel de mauzão, Mirko Ellis é El Condor, um mexicano impiedoso caracterizado pela sua fervorosa devoção religiosa e que lidera um bando de temíveis foragidos na região.

A trilha sonora do filme, por conta de Carlo Rustichelli, é um ponto altamente positivo, e a canção de abertura (Where is My Fortune), cantada por Ico Cerutti, se repete ao longo de todo o filme, criando a atmosfera perfeita dentro da trama.

Com elementos bem convincentes, o filme acaba agradando a todo fã do gênero que gosta de ver um autêntico faroeste, com ação e tiroteios do início ao fim. Vale a pena conferir.

 

Elenco:

Charles Southwood, Julián Mateos, Alida Chelli, Mirko Ellis, Ivano Staccioli, Lorenzo Robledo, Pietro Ceccarelli, Dada Gallotti, Raoul Racceis, Marco Rual, Maria Mizar, Piero Morgia, Roberto Biciocchi.

 

Voltaire:

"Deus me defende dos amigos, que dos inimigos me defendo eu".

Henrique Sousa

 


Django No Perdoa... Mata - 1967

Posted by Henrique Sousa on January 24, 2016 at 7:30 AM Comments comments (0)

L'uomo, l'orgoglio, la vendetta - 1967

Dirigido por Luigi Bazzoni


Antes de mais nada, quero garantir ao leitor que este filme não é um western. O fato dele estar inserido no seio deste subgênero ocorre porquê, desde o princípio, foi classificado como faroeste em países como Alemanha e Brasil.

 

Em sua essência, este filme é um "drama romântico", e não um western. Na verdade, a participação de grandes atores como Franco Nero ou Klaus Kinski, levaram as distribuidoras a divulgarem o filme sob o rótulo de spaghetti western, porém, o que o expectador constata é muito diferente. Na trama, José (Franco Nero) é um humilde militar do exército espanhol, que encontra Carmen (Tina Aumont), uma bela jovem cigana. A partir daí, tem início um complicado relacionamento envolvendo os mais complexos sentimentos e reações: violência, ciúme, ganância, homicídio, sexo e traição.

 

De uma coisa o fã de western (ou mesmo de qualquer ator do elenco) pode ter absoluta certeza: a ação do filme não ocorre no Oeste americano, e nem sequer na fronteira mexicana.  A trama ou ação acontece na Espanha, mais precisamente na região de Andaluzia, do final do século XIX. Uma vez que o filme é uma produção de 1968, por pura conveniência, e de olho em uma melhor bilheteria, aproveitaram o momento de auge dos westerns europeus para “caracterizar” o filme como parte desse subgênero.

 

O que, muito provavelmente, poucos sabem, é que originalmente, este filme foi uma adaptação da obra "Carmen", do escritor francês Prosper Mérimée, escrita no século XIX. Depois, alguns anos mais tarde, foi transformada em ópera por George Bizet.

 

No Brasil, o filme tem cópia lançada pela Ocean Pictures com um impactante título de "Django não Perdoa... Mata", levando o fã a navegar do entusiasmo à decepção, em razão de o filme justamente não ser, de fato, um spaghetti western, como o título prometeu - a bem da verdade, ninguém pode negar que o título "Django não Perdoa... Mata" não seja, definitivamente, algo realmente muito sugestivo.

Na Alemanha, um forte mercado consumidor do subgênero, como era de se esperar, o filme também levou a questão do titulo na mesma direção: "Mit Django kam der Tod", que pode, mais ou menos, ser traduzido como "Com Django veio a Morte" (se eu não estiver enganado quanto a minha interpretação ao pé da letra),  numa clara intenção, ou esforço, de relacioná-lo ao efervescente pacote de western europeu daquele momento.

 

No resumo de tudo, é um filme difícil de ser julgado por quem entende de western, uma vez que não se trata de um filme desse gênero. Aqui temos, definitivamente, um drama romântico, onde o grande Nero até que se esforçou, e teve uma ótima atuação, mas, é evidente que apenas isso não foi suficiente para tornar este filme um sucesso de bilheteria, e isso justamente em razão de ter sido vendido para o público errado. De fato, pode se dizer que o ávido fã de spaghetti western detestou o filme, entretanto, muitos, de preferências bem mais ecléticas, poderão gostar bastante, pelo fato do conteúdo romântico e dramático.

 Henrique Sousa

Um Dlar Para Sartana - 1971

Posted by Henrique Sousa on November 13, 2012 at 9:50 PM

Su Le Mani, Cadavere! Sei in Arresto - 1971

Dirigido por Sergio Bergonzelli (aqui creditado como Leon Klimovsky)


Depois de uma devastadora batalha na Guerra Civil americana; Grayton (Aldo Sambrell), um oficial da União, montado em seu cavalo, dá um tiro de misericórdia em todos os feridos e desarmados sobreviventes do exército confederado que vai encontrando pelo campo de batalha.  Em uma casa onde os feridos recebem tratamento, ele entrega sua arma a um jovem médico, e ordena que ele mate um soldado enfermo. Com a arma em punho, o jovem médico hesita e, nesse momento, um dos feridos atira no cruel oficial. Baleado em uma das mãos, Grayton consegue fugir.  Tempos depois, o jovem médico, conhecido como Sando Kid (Peter Lee Lawrence) é treinado por este homem ferido e se junta ao Rangers do exército, patrulhando o lado sem lei do território. Tornando-se um dos melhores homens na força, ele é enviado para sua cidade natal, Springfield, para lidar com um grupo de bandidos, liderados por Grayton, que estão aterrorizando a população local a vender suas terras para que ele possa vendê-las para a estrada de ferro.


Os spaghetti westerns dos anos 70 tiveram uma quantidade considerável de filmes produzidos com recursos de truques muito bem elaborados (caso dos Kung Fu Westerns),  sem falar também das comédias pastelão.  Entretanto, Um dólar para Sartana acabou sendo um filme completamente diferente, com uma história muito familiar, bem similar aos filmes clássicos americanos. O primeiro quarto de hora da trama fornece quase uma montagem do desenvolvimento de Sando, de um médico tímido, para um Ranger mortal. E tudo isso muito rapidamente, fato que  poderia ter sido mostrado por muito mais tempo, mesmo não  ajudando  a dar um fundo para o personagem, nem a diferenciá-lo do típico herói dos spaghetti westerns, que surge cavalgando do nada.  O resultado acaba fazendo de Sando Kid um Ranger  e um herói puro. Não o típico caçador de recompensas, anti-herói, porém, o expectador verifica que esses ingredientes apenas ajudam a confirmar essa atmosfera de faroeste americano. Embora as cenas de abertura definam um tom muito sombrio ao filme, no decorrer da trama, também há momentos de grande leveza que, geralmente, descontrai bastante com situações muito engraçadas.  O filme tem alguns momentos narrativos que causam leve confusão ao roteiro, mas, no resumo, funciona muito bem, e o ritmo é bom, com cenas de ação freqüentes, levando a um clímax inevitável, porém, muito bem montadas e trabalhadas.


O diretor Leon Klimovsky, mais conhecido por seus filmes de terror espanhol, foi muitas vezes classificado como um profissional incompetente, entretanto, seu trabalho em Um dólar para Sartana é bastante elogiável. Um ponto muito positivo é que quase todo o trabalho é filmado com câmeras de mão, dando à ação, cenas de um verdadeiro sentido de drama. Além disso, um olhar mais crítico pode observar algumas edições muito eficientes por todo o filme. O renomado compositor  Alessandro Alessandroni oferece uma trilha sonora bastante apropriada e eficaz, bem ao estilo spaghetti western.


O jovem ator, na época, Peter Lee Lawrence, assume o papel principal neste filme, aqui,  ladeado por um  elenco de primeira, e sabendo bem da necessidade de se desenvolver e rapidamente se aperfeiçoar, no cinema,  transformando-se de garoto em homem. Destaque para a forte presença, sempre muito frequente nos spaghetti westerns da época, de Aldo Sambrell, no papel de  Grayton.  Outra importante participação é a da atriz alemã Helga Liné, que frequentemente participava de filmes de horror, na Espanha. O expectador também verá outras participações como a de Aurora del Alba (Vingança dos Zombies (1973)) no papel de mãe de Leonor, e Agostini Franco (The Case of the Bloody Iris (1972)) como Padre Brown.. Por outro lado, o desconhecido Espartaco Santoni e a bela Maria Zanandrea têm atuações destacadas interpretando Dólar e Leonor, mesmo ficando a impressão que poderiam dar muito mais de si neste trabalho.

 

Bem escrito, dirigido e com ótimas atuações, Um dólar para Sartana é um filme surpreendentemente muito bom, de um tempo quando os Spaghetti Westerns já começavam a dar sinais de declínio. Como em tantos outros, o filme também pega  carona na fama e popularidade do personagem Sartana para nomear o título em francês e espanhol, mesmo não tendo ninguém com esse nome na trama. Não há grandes surpresas no roteiro, e nada que não tenha sido feito antes em faroestes europeus ou americanos, mas todo o resultado acaba sendo muito bem recebido sob o ponto de vista da crítica e dos seguidores. O filme é altamente recomendado para os fãs do gênero, porém, não é  a melhor introdução para os recém-chegados.


 

Elenco: Espartaco Santoni, Peter Lee Lawrence, Helga Liné, Franco Agostino (creditado como Frank Agostino), Aldo Sambrell, Aurora de Alba, Tomás Blanco, José Canalejas, Lorenzo Robledo, Alfonso de la Vega, Maria Zanandrea (creditado como Mary Zan), Luis Barboo, Simon Arriaga, Joaquin Parra, Giovanni Santoponte, Antonio Cintado, Rafael Cores, Rafael de la Rosa

Música: Alessandro Alessandroni


Poucos Dlares Para Django - 1966

Posted by Henrique Sousa on September 16, 2012 at 11:00 PM

Pochi Dollari per Django - 1966

Dirigido por...pode parecer meio confuso, mas, este filme foi dirigido por Enzo G. Castellari, que aqui está creditado apenas como diretor assistente. Quem está apontado como diretor é Léon Klimovsky·

 

Há quem diga que o ano de 1966 foi o mais importante de todo o ciclo Spaghetti Western.  Os registros de lançamentos foram inúmeros nessa ocasião, e, para muitos,  foi neste ano que o gênero realmente decolou, com o famoso "Django", de Sergio Corbucci, que praticamente abriu o caminho para a enxurrada de filmes que estaria por vir.  Com o lançamento e a popularidade alcançada por “Django”, o mercado passou a seguir uma tendência, onde dezenas de filmes foram lançados, com títulos renomeados, numa clara tentativa de pegar carona no sucesso de “Django”. Dessa forma, assim como “Django atira Primeiro”, de Alberto de Martino, lançado meses antes, “Alguns dólares para Django” (Pochi dollari per Django), também foi renomeado, para lucrar com o sucesso e notoriedade do “Django” de Corbucci.

“Alguns dólares para Django” está cercado de curiosidades que ficarão para sempre nas páginas históricas do gênero. Um deles chama a atenção, em particular, e, certamente, pode ter passado despercebido de boa parte de fãs e seguidores em todos os países onde foi lançado. Diz respeito ao  título original que, da maneira como está escrito nos créditos de abertura do filme, o espectador lê “Diango”, com “i” mesmo, e não “Django”, com “j”, como o personagem de Corbucci acabou ficando conhecido no mundo.

 O filme começa com o caçador de recompensas, Django (também chamado de Regan), enfrentando membros da perigosa gangue de Jim Norton. Missão cumprida,  ele retorna a seus empregadores que lhe informam que o líder de gangue, Jim Norton, foi morto mas, que dois de seus homens,ainda estão foragidos. Django (Anthony Steffen) dirige-se para Montana,  em busca desses homens,  e para encontrar Trevor, irmão gêmeo de Jim Norton, na esperança de que ele possa ajudar em sua missão. O que Django não contava é que a região vivia um momento de conflito extremo, onde pecuaristas lutavam contra os agricultores. Em sua cavalgada até a pequena cidade de MileCity, onde vivia Trevor Norton, Django  se depara com um xerife assassinado. Sem mais nada a fazer por aquele homem morto, ele  decide levar a sua estrela dourada. Tudo indicava que  um  homem da lei estava sendo aguardado na cidade e, com a sua chegada, Django acaba sendo confundido como o novo xerife. Com a confusão,  ele se vê envolvido e arrastado para um violento conflito, entre agricultores e pecuaristas, que muitas vezes também é bastante cruel. Assumindo de vez a identidade de xerife, Django se vê diante de outra batalha muito pessoal: ele poderá trabalhar para tentar resolver a situação e trazer a paz para a cidade, ou será que seus instintos de caçador de recompensas falarão mais alto?

 “Alguns Dólares para Django” é surpreendentemente bem roteirizado para um filme de faroeste.  Mesmo o espectador mais casual pode descobrir que o argumento do "irmão gêmeo" é improvável, e que acaba por ser apenas isso. O  filme mantém o espectador imaginando e  adivinhando o tempo todo. Parece bastante decente a motivação de fazendeiros e agricultores com suas rixas e diferenças.  Muitos spaghetti westerns usaram a Revolução Mexicana como ponte para obter grandes e violentas gangues de homens, armados até os dentes, saqueando e atacando uns aos outros. No caso de “Alguns dólares para Django”, impressionantemente, nem os fazendeiros, nem osagricultores,  são mostrados como sendo os "maus" da trama.  Ambos os lados usam a violência e, embora os fazendeiros ataquem  mais brutalmente, são os agricultores que, aparentemente, provocam a coisa toda, erguendo suas cercas de arame  farpado. A estimulação é bastante decente, e o clímax do filme funciona perfeitamente.  Por outro lado, o filme  cai na armadilha de muitos filmes do gênero:   os bandidos levam muito tempo para decidir a eliminação do xerife.   Embora estejam preparados para matar a qualquer momento, eles ficam muito tempo parados com relação ao xerife.  A verdade é que o script,  como um todo,  apresenta traços de  influência do western americano,  e muito deste filme poderia ser confundido como um faroeste hollywoodiano. A diferença está na violência excessiva deste spaghetti western.

 Sabe-se que o orçamento da produção foi, obviamente, bastante substancial para este filme. Olhando minunciosamente,  há uma abundância de extras ao seu redor. tanto na forma de grandes grupos de atiradores montados a cavalo, como também na grande quantidade figurantes, nas cenas de rua, da cidade.  No entanto, no que diz respeito à direção, ela pode ser analisada como fraca e polêmica. Por exemplo, o enquadramento é muitas vezes terrível e,  de acordo com Enzo G. Castellari , que neste trabalho, está creditado como assistente de direção,  sob o nome Enzo Girolami, o diretor oficial (o espanhol Leon Klimovsky) foi tão incompetente e desinteressado  no material,  que o próprio Castellari  foi quem dirigiu  grande parte do filme.  As cenas de luta são muito distintas. Assim como em “Texas Adeus”, de Ferdinando Baldi, do mesmo ano, elas parecem ter sido realizadas com dublês treinados,  onde se percebe que muitos movimentos de luta são muito bem coreografados, bem como algumas  cenas de tiros, parecem bem reais e perfeitamente elaboradas.  A música se encaixa perfeita em toda a trama, mesmo não se apresentando forte,como em outros spaghetti westerns, porém, isso é muito mais uma necessidade  de fundo, o que acaba soando quase imperceptível.

 Em suma, “Alguns Dólares para Django” pode ser considerado um ótimo filme, que se utilizou de ótimos cenários, bem parecidos com os americanos,e com sets de filmagens de boa qualidade. Com um elenco de ótima qualidade, a atuação dos protagonistas acaba se sobressaindo, compensando uma batuta considerada polêmica e desajustada. Quanto à trilha sonora, embora não se apresente poderosa como em outros spaghetti westerns, como em “O bom, o mau e o feio” ou “À sombra de uma arma”, o espectador logo  percebe  que se trata de um faroeste italiano, em razão de seu sotaque inconfundível.  Por outro lado, o roteiro é bastante elogiável e as cenas de lutas muito bem coreografadas. A qualidade da imagem de “Alguns dólares para Django”, arquivo disponível no acervo do site, é excelente, com formato de tela widescreen panorâmico, colorido de luxo e legenda em português. O filme é altamente recomendado para os seguidores dos spaguetti westerns e, especialmente, os fãs de Anthony Steffen, que neste trabalho tem brilhante atuação, como sempre. É claro que não se pode deixar de elogiar também a presença e a brilhante atuação do fenomenal Frank Wolff, outro peso pesado do elenco.

 

Elenco: AnthonySteffen, Gloria Osuna, Frank Wolff , Joe Kamel, José Luis Lluch, Tomás Zalde,Alfonso Rojas, Angel Ter, José Luis Zalde, Sandalio Hernándeza , Joaquin Parra,Félix Fernández

 

Música: Carlo Savina


Deus Perdoa... Eu No! - 1967

Posted by Henrique Sousa on July 4, 2012 at 8:35 PM

 Dio Perdona... Io No! - 1967

 Dirigido por Giuseppe Colizzi

 

Este fenomenal spaguetti western, de 1967, do diretor Giuseppe Colizzi, reuniu, pela primeira vez, uma das mais espetaculares, gloriosas, incomparáveis e bem-sucedidas duplas do cinema. Ora, alguém poderia se perguntar: “de quem se trata?”, pois, são várias as duplas que alcançaram fama no mundo do cinema... É a mais pura verdade, entretanto, nesta resenha, nos referimos a Terence Hill e Bud Spencer, cujo estrondoso sucesso se estendeu até para além do gênero spaghetti western.

Poucas são as duplas cuja parceria foi tão perfeita quanto Hill e Spencer, muito embora tenhamos que reconhecer o talento de outras que, carismaticamente, também souberam cativar o público, de modo muito similar. É o caso, por exemplo, de Mel Gibson e Danny Glover, em “Máquina Mortífera”, e mais atualmente, Simon Pegg e Nick Frost em “Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”, de onde se percebe muita similaridade com o público. Em cada filme o entusiasmo é geral e o apoio dos expectadores é garantido.

No caso de Hill e Spencer ocorreu da mesma forma. Tudo começou com este “Deus perdoa... eu não!”, de 1967, considerado o pontapé inicial da trajetória de ambos. O filme era essencialmente sério e muito violento, e não apresentava nenhum ingrediente das hilárias comédias que os consagrariam mais adiante. Nessa ocasião, embora não soubessem, eles ainda voltariam a trabalhar juntos em outros 16 filmes. As duplas atuais precisariam mostrar muito serviço para igualar ou superar esta marca.

“Deus perdoa... eu não!! (Dios perdona…Yo No!) foi o filme que juntou, pela primeira vez, Hill e Spencer. Na verdade, trata-se de uma trilogia, que teve sequência em “Os 4 da Ave Maria” (Los cuatro del Ave María), de 1968, e “Boot Hill”, de 1969. Nesta primeira oportunidade, o filme teve a direção do consagrado diretor Giuzeppe Colizzi e, como característica principal desta produção, há o fato de que este foi o único trabalho sério protagonizado juntos por Spencer e Hill. Após isso, todos os trabalhos que fizeram juntos ocorreram dentro do hilariante clima da comédia de ação. No caso de “Deus perdoa... eu não!”, portanto, foi a única ocasião em que o humor esteve menos presente no roteiro.

O filme pode ser considerado sombrio e ultraviolento, e em seu lançamento foi muito difícil de ser digerido pela crítica, razão pela qual também foi bastante castigado. Alguns podem dizer que é um filme raro de se ver hoje porque seus protagonistas estão associados à comédia de ação, porém, o que esta produção demonstrou é que eles também podiam ser sérios e conservar a mesma essência dentro de um roteiro distinto.

O começo do filme é muito forte, com a chegada de um trem a uma festiva estação ferroviária, onde, para a surpresa geral, todos os passageiros, misteriosamente, aparecem mortos. Um verdadeiro massacre. O diretor faz absoluta questão de mostrar ao expectador, em tomadas ricas em detalhes, o amontoado de cadáveres, uns sobre os outros, nos vagões. As cenas são bem sinistras. O massacre, tudo indica, foi realizado por um perigoso bandido da região, chamado Bill San Antônio, aqui interpretado por outro grande ator, Frank Wolff (Era uma vez no oeste).

Na trama, o personagem de Terence Hill é Cat Stevens, um pistoleiro hábil no manejo da pistola, que vive de roubos e apostas no pôker. O seu parceiro e amigo, é o não menos perigoso Hutch Bessy, personagem de Spencer. À princípio, Hutch Bessy se mostra bastante desconfiado da forma como ocorreu o assalto ao trem. Todas as evidências apontam para Bill San Antônio. Ao contar suas suspeitas para Cat Stevens, este decide partir sozinho, em sua própria investigação. O motivo da investigação particular de Cat Stevens é que ele próprio já havia se defrontado com Bill San Antônio, alguns meses antes, em um duelo mortal, ocasião na qual o bandido foi baleado e, supostamente, havia morrido no incêndio da cabana onde se enfrentaram.

Cat Stevens (Hill) monopoliza mais da metade do filme, relembrando, em flashes, tudo que ocorreu, nos meses anteriores, até o desfecho, onde ocorreu a suposta morte de Bill. Com todos os holofotes voltados para Cat, o expectador quase é levado a esquecer, por um momento, a presença de seu fiel parceiro, porém, embora Hutch Bessy não apareça muito, na primeira metade do filme, a trama sugere que, enquanto isso, ele também conduzia secretamente as suas investigações. Por fim, a dupla conclui que Bill fingiu a própria morte e, de olho na fortuna roubada, decidem se apoderar do pesado baú do bandido e tentar passá-lo para trás. ,

O filme é bem diferente e vai completamente na contramão do estilo que a dupla faria nos anos posteriores. Por isso mesmo, aqui temos um spaguetti western bastante sombrio, com cenas brutais de violência e personagens onde não existem heróis. Por exemplo, Cat Stevens, o personagem principal, não é tão diferente de Bill San Antonio, o vilão da trama. Cat Stevens e Hutch Bessy são, sim, exemplos clássicos de anti-heróis.

O estilo sério como este filme foi produzido mudaria, nos trabalhos posteriores da dupla Hill-Spencer, onde passariam a interpretar personagens carismáticos e queridos, com códigos éticos e de honra, que incomodariam apenas aos bandidos, homens maus ou corruptos. Uma das razões pelas quais é muito interessante assistir “Deus perdoa... eu não!”, é que esta é uma rara oportunidade que o expectador ou fã do gênero tem para ver a famosa dupla em ação, atuando em um estilo bem diferente.

O filme foi realizado na famosa região espanhola de Almería, e um dos destaques ficou por conta da música forte e envolvente de Carlo Rustichelli (creditado como Oliver Angel Pina), que foi um dos compositores mais requisitados da Itália, com cerca de 250 filmes no currículo. Para “Deus perdoa... eu não!”, a música de Rustichelli se encaixa perfeita, soando forte e poderosa no clima do filme, desde o princípio até o seu final.

A química dos protagonistas, em cena, era fantástica, e ao vê-los reunidos nesta primeira produção, já se poderia imaginar que voltariam a trabalhar juntos novamente. Isto porque eles formavam uma equipe com um magnetismo muito especial para as páginas históricas dos spaghetti westerns. “Deus perdoa... eu não!”, foi apenas o começo de tudo. A mão do diretor Giuseppe Colizzi e a cuidadosa produção, num estilo realmente sério, agradam em cheio até o mais exigente seguidor do gênero. Este é um spaghetti western de primeira e que vale a pena ser conferido.

 

Elenco: Terence Hill, Bud Spencer, Frank Wolff, Gina Rovere, José Manuel Martín, Luis Barboo, Joaquín Blanco, Tito Garcia, Frank Braña, Antonietta Fiorito, Francisco Sanz (como Paco Sanz), Franco Gulà, José Canalejas, Remo Capitani, Antonio Decembrino, Juan Olaguivel, Giovanna Lenzi, Roberto Alessandri, Bruno Arie, Giancarlo Bastianoni, Rufino Inglés, Arturo Fuento, José Terrón.

 

Música: Carlo Rustichelli (como Oliver Angel Pina)


Keoma - 1976

Posted by Henrique Sousa on May 10, 2012 at 10:30 PM
  • Título original: Keoma
  • Diretor: Enzo G. Castellari
  • Elenco: Franco Nero, Woody Strode, William Berger, Donald O'Brien, Olga Karlatos, Orso Maria Guerrini, Gabriella Giacobbe, Antonio Marsina, Gianni Loffredo (como John Loffredo), Leon Lenor, Joshua Sinclair, Leonardo Scavino, Wolfango Soldati, Massimo Vanni, Victoria Zinny, Alfio Caltabiano, Giovanni Cianfriglia (como Ken Wood), Domenico Cianfriglia, Roberto Dell'Acqua, Angelo Ragusa, Riccardo Pizzuti, Pierangelo Civera.
  • Música: Guido & Maurizio De Angelis

Keoma - O gênero Spaghetti Western já dava seus últimos suspiros quando presenciou o lançamento de um dos maiores e melhores filmes de todo o ciclo. Quando Keoma estreou nos cinemas, em 1976, já haviam se passado 8 anos de “Era Uma Vez no Oeste” (C'era una volta il West), e 10 anos de “Três Homens em Conflito” (The Good, The Bad and The Ugly). É absolutamente verdadeiro afirmar que, nessa ocasião, o Spaghetti Western não vivia exatamente o seu momento mais glorioso. Ao contrário, o gênero estava na UTI, em seu estado terminal. Dessa forma, para muitos, o lançamento deste ótimo filme surgiu como uma “salvação” ou, pelo menos, com uma grande responsabilidade em poder oferecer um “algo mais” ao sub-gênero, ao gênero e, acima de tudo, ao cinema. Sem dúvida, o filme de Enzo G. Castellari estava coberto de muitas razoáveis razões, embora a responsabilidade fosse grande demais sobre um único filme, visto como o derradeiro sopro de vida de todo um gênero, mesmo que todas as suas razões fossem todas muito poderosas.

A trama gira em torno da figura do cavaleiro solitário, de poucas palavras, rápido e mortal, que tão convincentemente havia sido encarnado por Clint Eastwood, na trilogia do “Homem Sem Nome”, de Sergio Leone. A diferença está no fato de Keoma ser mestiço, meio branco, meio índio, além de ser o herói que dá nome ao título do filme. Em vez de um sombreiro ou um poncho, o que ele usa é uma vestimenta indígena, de peito aberto, uma fita amarrada ao seu vasto cabelo, barba volumosa e olhos azuis. Todas essas características colocam Franco Nero perfeito para o papel. A verdadeira natureza do personagem pode ser observada no momento em que ele usa o recurso do silêncio para observar e disparar de modo rápido e mortal.

Como fato curioso, vale destacar que Franco Nero, neste mesmo ano, também estrearia outras cinco produções. Dez anos antes ele foi Django, no filme homônimo de Sergio Corbucci. Sob o comando de Castellari, ele suporta o peso da função com uma interpretação de poucas palavras e muita ação, submetendo ao personagem um elo entre místico e selvagem, além de carismático e evasivo ao mesmo tempo.

O filme narra a história de Keoma, um mestiço, meio branco, meio índio, adotado por William Shannon (William Berger), quando criança, logo após o massacre de toda a sua tribo. Como único sobrevivente, o garoto Keoma é adotado por Shannon, mesmo contra a vontade de seus outros três filhos legítimos, que hostilizam e maltratam o novo integrante da família durante toda a sua infância, por entenderem que tiveram roubado o carinho do pai.

O filme começa com o regresso de Keoma, já adulto, acompanhado de todas as lembranças da infância, passando como flashes, em sua mente. Ele encontra uma terra suja, degradada e assolada por uma peste, cujos doentes são mortos ou isolados fora da cidade. A região é dominada, com mãos de ferro, por Caldwell (Donald O'Brien) e seu bando, entre os quais se incluem os três “meio-irmãos” de Keoma, os mesmos que sempre o odiaram quando criança. A chegada de Keoma acaba sendo providencial para mudar o destino de uma mulher grávida que, como todos os outros infectados, está em trânsito para ser confinada em uma espécie de campo de concentração. A partir daí, tem início um jogo mortal onde a mulher, o empenho de Keoma em defendê-la de todo o perigo, ao mesmo tempo em que defende a todos, acaba sendo o ponto forte de uma trama que segue cheia de muita tensão, à base de duelos, perseguições e fugas inesperadas.

Com uma aparência sombria, quase profética, Keoma se encaixa perfeitamente na tradição do pistoleiro infalível, iniciado pelo tipo de herói também calado e mortal interpretado por Clint Eastwood. No caso de Keoma, uma diferença marcante está no fato de manejar, como ninguém, a machadinha, uma vez que possui sangue índio, e também por sua força e eficiência na luta corporal. O expectador tem a oportunidade de observar a exuberância das cenas de violência onde Castellari se delicia com a câmera lenta, mostrando uma influência muito mais próxima de Peckinpah do que de Leone, mesmo tendo tomado emprestado um punhado de close-ups com os quais não chega a incomodar.

A maestria do diretor também pode ser bastante elogiada, sob um ótimo pulso narrativo, que atinge sua expressão máxima, como em todo epílogo, com uma montagem paralela que chega a deixar um vazio na ação para multiplicar os ecos agonizantes dos gritos da parturiente.

O filme também possui um clima místico, que pode ser facilmente identificado já em seu início, por uma sequência sugestiva e bem encaixada, e que se repete em várias ocasiões, através do personagem da bruxa. Por outro lado, num clima mais sentimental, vemos flashes do passado de George (Woody Strode), numa época em que a vida era bem melhor.

É claro que em toda a obra, dois são os destaques notadamente relevantes: o primeiro é o vilão Caldwell, interpretado por Donald O’Brien que, com seu bando de ex-confederados, parece um pouco brando demais para um caçique de uma terra tão dura. O segundo é a trilha sonora, de Guido & Maurizio De Angelis, que merece todos os aplausos, especialmente por se encaixar de modo perfeito desde a abertura até os momentos de ausência de diálogos, aqui conduzida magistralmente nas vozes de  Susan Duncan Smith & Cesare De Natale.

Não é, no entanto, nem no aspecto formal, nem no roteiro ou argumento, que se deve buscar as virtudes de Keoma, que se apresenta montada sobre toda uma estrutura convencional, e sim, pelo fato de se apresentar sob a responsabilidade da poderosa presença de Franco Nero, diante das câmeras, e de Enzo G. Castellari por trás delas.

No Brasil, Keoma mereceu quase todos os cuidados necessários para um lançamento de um grande filme. A qualidade de imagem é ótima, a dublagem é boa, e o conteúdo de informações adicionais é para seguidor nenhum reclamar. O material oferece, inclusive, opções de formato de tela. O ponto negativo (o ponto fraco de sempre), fica por conta da capa do dvd, que poderia ser bem melhor. Nesse quesito as distribuidoras nacionais ainda se encontram totalmente fora de sintonia. Fora isso, todo o material é uma verdadeira pérola, digna da coleção de todo e qualquer fã do gênero.


Rss_feed